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17/08/2010 - 16h15

DIs recuperam perdas e fecham estáveis na BM & F

SÃO PAULO - Na última meia hora de pregão, os contratos de juros futuros reverteram o movimento de baixa observado ao longo do dia, fechando a jornada praticamente estáveis.

Ainda ecoam pelo mercado as declarações feitas ontem, pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que foram interpretadas como uma indicação clara de que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava estabilidade a 10,64%. Outubro de 2010 também não tinha variação, a 10,69%. E janeiro de 2011 recuava 0,01 ponto, a 10,74%.

Entre os longos, janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava estabilidade a 11,32%, depois de cair a 11,25% na mínima do dia. Janeiro de 2013 também estava sem variação, projetando a 11,47%, mas chegou a marcar 11,39%. E janeiro 2014 subia 0,01 ponto, também a 11,48%.

Até as 16h10, foram negociados 974.325 contratos, equivalentes a R$ 82,13 bilhões (US$ 46,56 bilhões), queda de 35% sobre o registrado na segunda-feira. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 428.510 contratos, equivalentes a R$ 36,39 bilhões (US$ 20,63 bilhões).

Ampliando um pouco o horizonte de análise, em uma semana alguns vencimentos perderam entre 20 e 30 pontos-base, o que configura mudança de percepção com relação ao futuro da política monetária.

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, tal comportamento do mercado diminuia a probabilidade de algum movimento de alta na Selic, que está fixada em 10,75% ao ano.

Fora isso, o especialista chama atenção para a queda de prêmio no vencimento janeiro de 2012, o que mostra uma diminuição na expectativa de alta de juros no ano que vem.

De acordo com o Serrano, tal dinâmica de baixa da curva futura tem ligação direta com fim das expectativas de recuperação mais forte do quadro externo. Em consequência disso, se esperam preços internacionais mais moderados, o que acaba contribuindo para o controle da inflação no mercado local.

Tal dinâmica de baixa ganhou força com as recentes declarações do presidente do Banco Central, sobre inflação e juros mais baixos em alguns anos.

Apesar dessa movimentação do mercado, Serrano aponta que continua acreditando em ajuste adicional na taxa de juros. Se o BC parar agora em 2010, o economista acredita em aperto monetário em 2011. Caso contrário não será possível trazer a inflação para o centro da meta.

(Eduardo Campos | Valor)
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