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17/08/2010 - 14h55

IGP-10 avança 0,46% em agosto, puxado por minério de ferro e soja

RIO - O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), medido pela Fundação Getúlio Vargas, teve alta de 0,46% em agosto, acentuando a elevação de 0,05% registrada em julho. Os principais efeitos sobre o índice foram do minério de ferro e da soja. A expectativa do economista da FGV, André Braz, é de que, no próximo mês, o índice seja mais baixo do que o apurado em agosto, já que a principal influência não deve se verificar novamente.
O minério de ferro, que havia registrado queda de 0,54% no mês passado, sofreu reajustes de preços e subiu 13,73% em agosto. Isso fez com que fosse responsável por 65% da alta do IGP-10. No entanto, o minério não apresenta grande preocupação, já que a alta é pontual e não deve se verificar novamente em setembro.
O minério foi o principal responsável pela elevação de 0,75% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que havia ficado praticamente estável no mês anterior, com 0,02%. No acumulado de 12 meses, o IPA registra avanço de 7,47%. Excluindo o efeito do minério de ferro, o IPA teria sido de 0,14% no mês de agosto, o que demonstra a existência também de outros tipos de pressão.

Um deles é a soja e seus derivados, devido ao período de entressafra. A soja em grão saiu de alta de 2,86%, para uma elevação de 9,48%. Outras altas foram do óleo de soja bruto (de 2,86% para 9,48%), óleo de soja refinado (de -2,08% para -0,41%) e farelo de soja (de 1,91% para 5,33%). A soja teve contribuição de 0,32 pontos percentuais, ou cerca de 40% do IGP-10 no mês de agosto.

A quebra de safra na Rússia também deve pressionar os preços do trigo e de seus derivados, já que o Brasil vai precisar procurar outros mercados para importar o insumo. Em agosto, a queda de 2,27% já foi reduzida para menos 0,91%. A farinha de trigo passou de elevação de 0,7% para alta de 3,95%.

"O IPA foi muito afetado pelas matérias-primas brutas. Houve aumento dos minérios, o que fez com que o indicador apresentasse uma forte aceleração em relação ao mês passado. Um cenário parecido com esse não deve se repetir na apuração do próximo mês. Esperamos uma taxa de variação bem abaixo no atacado. Contudo, o IPA já começou a sinalizar aumentos que podem chegar ao consumidor, como os ligados à alimentação, na soja e derivados, e trigo, sem contar com carnes, que estão em aceleração. Podemos esperar uma IPA mais baixo e IPC não tão negativo quanto foi neste mês", acredita André Braz.
O índice geral de preços sofreu também influências negativas. Os alimentos in natura fizeram com que os preços ao consumidor, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), acelerassem a queda de 0,17% no mês passado para redução de 0,31% em agosto. Os alimentos in natura, que haviam caído 2,37% no mês passado, tiveram retração de 7,27% em agosto.

"Como o ponto de pressão do IPC tem partido dos alimentos in natura, a taxa negativa vai acabar, porque não sofre efeito de política macroeconômica. A probabilidade é que, nos próximos meses, o índice suba", disse o economista.
Um item do atacado que deve passar a ter efeitos para o consumidor nos próximos meses, de acordo com a FGV, são as carnes, incluídas as aves (de 0,42% para 4,26%), suínos (de -2,79% para 2,55%) e os bovinos (de 1,67% para 2,08%).
As hortaliças e legumes passaram de uma queda de 7,14% no mês passado para redução de preços de 10,66% em agosto. Ou seja, sem o efeito da queda das hortaliças e legumes, o IPC teria registrado queda de 0,06%, ao invés da queda de 0,31% em agosto.

Segundo André Braz, os efeitos do trigo sobre o aumento de preços já estão chegando, mas devem se acelerar ainda mais nos próximos meses. "Há itens que já estão sendo repassados para o consumidor". A farinha de trigo saiu de queda de 0,28 para redução de 0,1%. Outras inversões de tendência foram das massas prontas (-1,3% para +1,76%), massas para bolo (-0,87% para 0,98%) e biscoitos (-052% para 0,78%). O pão francês já registrou duas elevações seguidas acima de 1%, tendo subido 1,04% no mês passado e 1,14% este mês.

"Esses produtos, ainda que antecipem impacto para o consumidor, em termos reais ainda não tiveram impacto no acumulado do ano. De qualquer forma, a alta não deve influenciar a decisão de compra do consumidor", disse o economista.

Já o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) reduziu a alta de 0,72% para 0,35% em agosto. "Acho interessante que, mesmo em período de crescimento econômico, com a construção civil aquecida, ainda assim, os insumos para reformas não estão celerando os preços", disse Braz.
O cimento saiu de alta de 0,44% para 0,19%. Outros avanços mais brandos foram do tijolo (de 1,74% para 1,03%), tubos e conexões de ferro e aço passou (de 0,28% para 0,1%) e vergalhões e arames de aço (de 1,95% para 0,22%).

(Juliana Ennes | Valor)
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