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17/08/2010 - 14h03

Indústria farmacêutica deve crescer 9% nos próximos anos

SÃO PAULO - O faturamento do setor farmacêutico no Brasil deverá crescer 9,19% neste ano, para R$ 36,74 bilhões, estimulado pela expansão de 2,22% no volume de vendas, segundo revela um estudo realizado pela consultoria Lafis.

O levantamento mostra que o volume de vendas de remédios deverá atingir 1,81 bilhão de unidades em 2010. O crescimento de dois dígitos tem sido verificado na indústria nos últimos cinco anos, já que os rendimentos do setor têm características mais inelásticas e resistem às crises.

"O país tem um desempenho no mercado farmacêutico superior a dos países desenvolvidos, crescendo a taxas próximas de dois dígitos, perdendo apenas para China. Com a economia em expansão e o processo de envelhecimento da população este mercado torna-se ainda mais promissor", afirmou no estudo o analista setorial da Lafis, Bruno Sávio.

Para 2011 e 2012, a Lafis projeta um avanço no faturamento de 9,28%, para R$ 40,15 bilhões, e de 8,99%, para R$ 43,76 bilhões, respectivamente. Já as vendas de medicamentos deverão apresentar crescimento de 1,54% no ano que vem, para 1,84 bilhão, e de 1,01% em 2012, para 1,86 bilhão de unidades.

O mercado de genéricos deverá ser o pilar de crescimento do setor. Segundo destaca o levantamento, até 2012, 17 remédios - que hoje faturam cerca de R$ 750 milhões - terão suas patentes vencidas no país, o que dará mais espaço para as vendas de genéricos.

O potencial de avanço do segmento é forte, dado que hoje, a penetração dos genéricos no país é de apenas 19%. "(O mercado de genéricos tem) potencial de atingir cerca de 50%, como já acontece em várias países desenvolvidos", ressalta o estudo.

Os riscos inerentes aos negócios, por outro lado, se concentram dos consecutivos déficits que o setor apresenta, diante da dependência das importações de matérias-primas.

No ano passado, as exportações atingiram US$ 1,07 bilhão, enquanto as importações somaram US$ 4,47 bilhões, o que gerou um déficit de US$ 3,4 bilhões - alta de 2,4% ante 2008.

O câmbio é um fator agravante desse risco, que pode prejudicar a atividade das empresas farmacêuticas. "A volatilidade cambial, em um setor onde os insumos importados (fármacos) respondem por cerca de 80% da composição de um medicamento, pode prejudicar o cronograma de atividades das empresas", constatou o estudo.

Nos seis primeiros meses deste ano, as exportações no ramo de medicamentos acumularam US$ 561,69 milhões, enquanto as importações somaram US$ 3,20 bilhões. "O governo está entrando com algumas políticas, em conjunto com o BNDES, para tentar mudar esse panorama. Mais investimentos podem reduzir essa dependência", afirmou o analista.

Ele cita o programa governamental para o fortalecimento das empresas nacionais, por meio do financiamento para inovação e do incentivo a fusões. A intenção é formar uma grande empresa brasileira no setor.

Segundo Sávio, além disso, o país está se tornando uma plataforma de abastecimento da América Latina - por meio de estratégias internas dos próprios players do mercado - o que pode reverter a atual tendência da balança comercial do setor.

A Lafis destacou que, por outro lado, a indústria nacional, fortemente concentrada nas empresas transnacionais (que representam 65,1% da oferta), ainda sofre com os baixos gastos do governo com medicamentos. Hoje, de acordo com a pesquisa, cerca de 20% dos medicamentos comercializados no país são compras do governo, enquanto na Espanha este número chega a 73%.

(Vanessa Dezem | Valor)

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