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18/08/2010 - 19h37

Com postura incisiva, Marina muda estratégia e surpreende em debate

SÃO PAULO - Em terceiro lugar nas pesquisas, a candidata Marina Silva (PV) foi uma das principais surpresas do debate realizado hoje com os presidenciáveis.

Com uma postura mais incisiva, a senadora criticou o adversário José Serra (PSDB) em mais de uma ocasião e fez questão de frisar no final do encontro que a disputa ainda não está definida em favor de Dilma Rousseff (PT), como apontam as pesquisas de intenção de voto. Cientista político do Insper, Carlo Melo avaliou que não restava outra alternativa para Marina senão partir para o ataque.
Neste sentido, observou ele, Serra aparece como um adversário mais vulnerável para críticas, uma vez que está numa tendência decrescente nos levantamentos, além do fato do eleitorado de Dilma estar muito influenciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem altos índices de aprovação.
"Engana-se quem pensa que ela se aliou a Dilma para criticar o Serra. Na verdade, Marina precisava deixar de lado aquela postura de querer agradar todo mundo e se portar como a terceira via. Era preciso dizer a que veio", ressaltou Melo. Segundo ele, o desafio dela agora será, sobretudo, conquistar os votos dos indecisos.
Na primeira oportunidade que teve no debate, a candidata do PV criticou a gestão do PSDB no Estado de São Paulo na área de educação. Serra foi governador paulista entre 2007 e o começo de 2010. "Mesmo em 20 anos de governo do PSDB, temos graves problemas na educação. Essa questão vem sendo negligenciada. São Paulo e Rio não têm justificativa para não ter uma posição de vanguarda", declarou.
Em um outro momento, Marina questionou a propaganda eleitoral gratuita do tucano, que foi ao ar ontem, com imagens de uma favela artificial. "Tivemos favela virtual, quando tem tanta favela real, como a que eu visitei ontem", disse a senadora numa referência a uma comunidade próxima de Diadema que não teria tratamento de esgoto.
Para Melo, Dilma também evoluiu em relação ao primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Planalto e demonstrou mais segurança. Não apresentou a mesma dificuldade para responder aos adversários e saiu se bem quando questionada pelos internautas. "As pesquisas que indicam a possibilidade de vitória no primeiro turno deram mais confiança para a petista".
O único momento em que Dilma escorregou ocorreu quando foi indagada sobre sua posição sobre o aborto. Primeiro, disse que era pessoalmente contra, pois não acreditava que uma mulher fosse a favor. Depois afirmou ser favorável nos procedimentos permitidos pela lei. Isto é, em caso de estupro e risco de morte para a mulher.

Já Serra, afirmou Melo, foi bem e mostrou preparo, como já era esperado, considerando que é o candidato mais experiente entre os demais postulantes que participaram do encontro. "Acontece que a Dilma precisaria ir muito mal para criar um fato político favorável ao tucano que pudesse inverter o cenário apresentado até o momento", acrescentou.

(Fernando Taquari | Valor)
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