UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

18/08/2010 - 15h52

Em clima quente, presidenciáveis trocam farpas em debate

SÃO PAULO - Considerada um dos principais desafios para o próximo governo, a reforma política não foi motivo de consenso hoje no debate entre os presidenciáveis. O encontro, aliás, ocorreu em um clima mais quente do que o anterior e foi marcado pela troca de farpas entre os candidatos.
A candidata do PT, Dilma Rousseff, lembrou que o atual governo federal elaborou propostas para o sistema político que não foram aprovadas pelo Congresso. Para avançar no tema, a ex-ministra da Casa Civil defendeu a formação de uma assembleia constituinte. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou a petista, também teria se comprometido a viabilizar a reforma.
A declaração foi a deixa para o candidato José Serra (PSDB) criticar a proposta adversária, que na sua opinião, não levará a lugar nenhum. O tucano quer o voto distrito misto para cidades com pelo menos 200 mil habitantes. "Se o Lula não fez em oito anos a reforma política, você acha que ele vai fazer quando deixar o mandato? De jeito nenhum", declarou Serra.

Já a candidata Marina Silva (PV) observou que a reforma política não foi feita durante os 16 anos de governo do PSDB e do PT. Segundo a senadora, os projetos não foram adiante por conta das composições políticas no Congresso, onde parlamentares beneficiados pelos "processos viciados" não votam projetos voltados ao interesse público.
Assim como Dilma, Marina também acredita que uma constituinte exclusiva é a solução mais adequada para resolver o impasse. Esse não foi único momento em que as duas convergiram no debate. Com uma postura mais incisiva, a senadora fez críticas indiretas a Serra ao reclamar da qualidade da educação no Estado de São Paulo, na qual o tucano foi governador até o final de março, quando deixou o cargo para concorrer à Presidência.
"Mesmo em 20 anos de governo do PSDB, temos graves problemas na educação. Essa questão vem sendo negligenciada . São Paulo e Rio não têm justificativa para não ter uma posição de vanguarda", afirmou Marina, classificando a situação como vergonhosa. Ela propõe a atualização do conteúdo.

Em outro momento, a candidata do PV disse para o tucano que não tinha entendido a propaganda eleitoral gratuita do PSDB, que foi ao ar ontem, numa favela artificial. "Eu visitei ontem uma favela real", disse Marina em relação a uma comunidade próxima a Diadema, que estaria sem tratamento de esgoto. Serra, no entanto, se limitou a informar que foi feito saneamento em Heliópolis e Paraisópolis. "Há sim, problemas em todos os cantos, mas é importante ver o que está sendo feito", argumentou o candidato.

Na sequência, direcionou sua artilharia contra o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal. Segundo ele, não foi feito quase nada no país para as pessoas sem moradia. Dilma apenas desconversou e garantiu que numa segunda etapa, o programa construirá dois milhões de casa.
O Prouni, que oferece bolsas de estudo em universidades particulares, foi outra razão para a troca de farpas entre a petista e o tucano. Dilma questionou a iniciativa do DEM, que ocupa a vice na chapa de Serra, de entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o programa. "Se a Justiça aceitasse o pedido, como você explicaria essa atitude para 704 mil alunos que dependem do programa", questionou a ex-ministra.
Serra explicou que os aliados não entraram com um processo para acabar com Prouni. Segundo ele, trata-se de uma questão de inconstitucionalidade. "Nem tem a ver com minha posição, a do meu partido", assinalou. Em seguida acusou o PT de apostar na estratégia: "Quanto pior, melhor". Essa estratégia teria ficado evidente, de acordo com o tucano, nos momentos em que os petistas votaram contra a Constituição de 1988, o Plano Real, que acabou com a inflação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O ex-governador paulista também responsabilizou o Ministério da Educação por desmoralizar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) com o vazamento de dados dos estudantes e da prova. Dilma defendeu o governo Lula ao afirmar que não existe nenhum sistema que não seja passível de ser vazado. Em relação aos dados dos estudantes, atribuiu a responsabilidade à gráfica. "Vocês quebraram o sigilo bancário de um vice-presidente do PSDB", rebateu Serra.

(Fernando Taquari | Valor)
Hospedagem: UOL Host