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18/08/2010 - 15h05

Fusões e aquisições devem bater recorde neste ano, prevê Anbima

SÃO PAULO - O volume envolvido em operações de fusões e aquisições no mercado financeiro deve ser recorde este ano, superando o desempenho de 2007, quando o segmento movimentou R$ 136,5 bilhões. A expectativa é de Bruno Amaral, coordenador do subcomitê de Fusões e Aquisições da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). "O mercado está aquecido, há muitas transações sendo negociadas neste momento e que brevemente serão anunciadas", prevê.

Apenas no primeiro semestre, essas operações já somam R$ 84,8 bilhões, o que representa um crescimento de 43% em relação aos primeiros seis meses de 2009, informou hoje a Anbima. O executivo acrescenta que, atualmente, o mercado especula que o valor de negociações ainda não oficiais e esperadas ainda para este ano corresponda a cerca de R$ 44 bilhões.

Diferentemente do primeiro semestre do ano passado, em 2010 as aquisições de empresas estrangeiras por brasileiras predominaram, com uma fatia de 46,6% das operações do período, o que reforça o papel do Brasil como comprador global, avalia o coordenador do estudo. Operações entre empresas nacionais corresponderam a 21%, enquanto aquisições de brasileiras por estrangeiras equivalem a outros 19,8%.

Durante os primeiros seis meses do ano, Amaral destaca a relevante participação de asiáticos, sobretudo chineses, nesse tipo de operação. Do total de aquisições de empresas brasileiras por estrangeiras, que somaram R$ 16,8 bilhões, mais de um terço do valor (35,8%) tem como origem o continente asiático. "A Europa ainda predomina, mas no ano passado, por exemplo, a participação da China era insignificante", compara.

Como exemplos dessa tendência, Amaral cita a entrada da Sumitomo Corporation na composição acionária da Mineração Usiminas, negócio que movimentou R$ 3,5 bilhões, e a venda de ativos da Plena Transmissora para a State Grid of China e pela Elecnor, também por R$ 3,5 bilhões. Essas operações ocuparam a nona e a décima colocação em temos de volume no Ranking de Fusões e Aquisições do semestre, divulgado hoje pela Anbima.

A joint venture entre a Shell e a Cosan liderou o ranking, como a operação de maior valor: R$ 11,6 bilhões. A negociação fez do setor de agronegócio, que inclui açúcar e álcool, o principal destaque do semestre.

Para os próximos meses, no entanto, as fusões e aquisições do ramo de telecomunicações devem predominar, prevê o coordenador do estudo, tendo em vista a compra de participação da Oi pela Portugal Telecom, negócio estimado em, no mínimo, R$ 8,44 bilhões. Também deve ter destaque o setor de transporte e logística, com o anúncio na semana passada da fusão da TAM com a chilena LAN.

Mas Amaral não descarta novas operações de fusões e aquisições entre instituições financeiras. "Nunca me surpreendo quando aparece uma grande transação no setor financeiro", comenta o executivo, sem citar nenhum banco específico.

(Ana Luísa Westphalen | Valor)
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