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19/08/2010 - 19h15

Com redução de aportes, BNDES busca novas formas de captação

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai precisar buscar novas formas de captação nos próximos anos, já que o Tesouro Nacional não vai manter o ritmo de aportes realizados desde o início do ano passado, com o empréstimo de R$ 180 milhões ao banco de fomento.

De acordo com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o banco terá que captar mais no setor privado, tanto no mercado interno como no externo, além de se utilizar do mercado acionário, via BNDESPar (subsidiária do banco para investimentos), e da emissão de debêntures.

"O Tesouro não vai continuar colocando no BNDES as mesmas cifras que colocou", afirmou Mantega. De qualquer forma, ele defendeu o aporte realizado no ano passado e no início desse ano como tendo sido importante instrumento anticrise.

Ele acredita que a atuação do BNDES e dos bancos públicos ajudou o Brasil a sair mais rapidamente da crise do que as economias avançadas, que sofrem até os dias de hoje realizando medidas de estímulos.
Além disso, estudo realizado pelo banco mostra que o empréstimo de R$ 180 bilhões do Tesouro teria tido impacto positivo nas contas públicas no valor de R$ 79 bilhões. O BNDES deve ter lucro adicional de R$ 37,1 bilhões durante o período do empréstimo de 20 a 40 anos.

A União tem ainda um retorno de R$ 41,9 bilhões pelo aumento da arrecadação de impostos. O número foi calculado tendo como estimativa o valor de R$ 152,7 bilhões de investimentos feitos a partir dos empréstimos do Tesouro ao BNDES. Mesmo com os benefícios à economia pelo aporte do Tesouro no BNDES, o governo vai tentar modificar o perfil de financiamento do país, já que o modelo atual criado para o banco de fomento foi desenhado para um momento de crise.
Por isso, BNDES, Fazenda, Banco Central, Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a BM & F Bovespa estão discutindo um conjunto grande de medidas para fomentar o financiamento do setor privado.
Para conseguir criar um funding de longo prazo no mercado privado, o ministro da Fazenda acredita ser preciso que o país se "liberte do CDI, do overnight", deixando para trás resquícios da hiperinflação.

"A gente tem que conseguir captar recursos no longo prazo. Podemos mexer em tributos, em compulsório, há vários mecanismos, vários instrumentos que nós podemos verificar para viabilizar esse funding", disse Mantega.

Uma possibilidade é o maior uso de debêntures, por exemplo. Além disso, um mercado visto como tendo grande potencial é o de recebíveis imobiliários. "O Brasil está engatinhando nesse mercado, e nós vamos fazer o aperfeiçoamento que vai permitir elevar essas negociações", disse o ministro.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, não confirmou se o banco fará ainda alguma captação no mercado privado este ano. "O banco pode estudar algumas formas de captação mais inovadoras, mas dentro de um conjunto de medidas. Isso poderá ser testado no ano que vem, mas ainda é cedo para dizer", afirmou.
Ele disse ainda que o banco está analisando medidas de fomento ao mercado privado, como o apoio à formação de market makers no mercado de títulos de renda fixa ou uma contribuição ao aumento da liquidez do mercado secundário.

(Juliana Ennes | Valor)
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