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19/08/2010 - 17h24

Dilma considera "patética" estratégia de Serra

RIO - A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, voltou a afirmar que não vai baixar o nível da campanha e garantiu que vai manter o foco na discussão de projetos de governo.
Mas, ao ser questionada sobre o discurso que candidato do PSDB, José Serra, fez hoje durante o 8º Congresso Brasileiro de Jornais (CBJ), no qual apontou que existe cerceamento e patrulhamento da imprensa no atual governo, Dilma considerou "patética" a estratégia do principal adversário.

"Acho estranho. Porque ao mesmo tempo o candidato tenta, de uma forma muitas vezes patética, ligar seu nome ao do presidente Lula. Tem dia que faz crítica e tem dia que quer ligar o seu nome e o seu projeto ao presidente Lula. O candidato Serra é assim, o que a gente pode fazer?", indagou a ex-ministra, que também participou do 8º CBJ, no Rio de Janeiro.

Dilma também rebateu as acusações de Serra sobre o excesso de conferências - segundo ele patrocinadas com dinheiro público - nas quais se produziriam projetos de lei que teriam como tema em comum, segundo o candidato tucano, medidas de cerceamento da imprensa.

"Sou a favor de conferência", resumiu a candidata petista, para em seguida emendar na definição dada por um ribeirinho do Amazonas que participou de uma conferência sobre cultura. "Uma conferência é para conferir se tudo está nos conformes. Acho que a gente tem que aguentar todas as críticas, é função do governante ser capaz de escutar nas conferências gente do povo conferindo se está tudo nos conformes. Nunca tivemos medo de gente conferindo se está tudo nos conformes", alfinetou a candidata.

Durante seu discurso de pouco mais de 20 minutos no Congresso, Dilma lembrou que "sentiu na pele" a falta de liberdade de expressão durante a juventude, vivida na época do regime militar brasileiro. Depois de discursar, a ex-ministra voltou ao tema ao ser indagada pelos jornalistas, negando qualquer defesa de redução da liberdade de expressão.

"Eu prefiro mais de 1 milhão de vezes o som de vozes críticas, de críticas duras, de críticas que muitas vezes inclusive podem ter ferir, que o silêncio dos calabouços da ditadura neste país", disse.

Dilma não quis opinar sobre o que foi considerado uma mudança no tom de José Serra, que para muitos presentes fez hoje o seu discurso mais duro contra o governo Lula desde o começo da campanha.

"Não sei o que dizer a respeito das diferentes oscilações do candidato. Eu não vou baixar o nível nesta eleição. Vou manter o nível elevado, vou discutir projeto, inclusive prática", garantiu. "Não tememos os movimentos sociais. Muitas vezes não adotamos as reivindicações, mas jamais vamos deixar de escutar", acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor)
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