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19/08/2010 - 12h16

Dólar acentua alta e sai a R$ 1,765 na venda

SÃO PAULO - Os compradores seguem ditando o rumo do mercado de câmbio interno e a divisa americana registra alta desde o início dos negócios. Por volta das 12h15, o dólar comercial subia 0,68%, cotado a R$ 1,763 na compra e a R$ 1,765 na venda, máxima do dia até o momento. Na mínima, foi a R$ 1,754. No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM & F tinha alta de 0,54%, cotado a R$ 1,768.

O reduzido apetite por risco dos investidores está levando à queda das bolsas e ao aumento pela procura de ativos considerados mais seguros, caso do dólar. Há pouco, em Wall Street, o Dow Jones e o S & P 500 tinham retração de cerca de 1,5%. Por aqui, o Ibovespa registrava declínio de 0,82%. Dados sobre o mercado de trabalho americano divulgados mais cedo decepcionaram os agentes. Soma-se a este cenário de aversão ao risco a notícia de que o indicador de atividade manufatureira do Federal Reserve (Fed) de Filadélfia passou de +5,1 para -7,7 pontos, de julho para agosto. O economista-chefe da CM Capital Markets Corretora, Luciano Rostagno, explica que os negócios já começaram com tendência de desvalorização do real ante o dólar, por conta da possibilidade de a capitalização da Petrobras não ocorrer em setembro, como esperava o mercado. Uma reportagem do Valor publicada hoje mostra o risco de a aguardada operação da estatal ficar para o ano que vem, embora para a companhia o prazo limite continue sendo 30 de setembro, por conta das eleições e por razões operacionais. A reunião de ontem do presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, não foi decisiva. A definição do prazo está atrelada ainda ao preço que será estabelecido para o barril de petróleo. Hoje a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve anunciar o resultado dos trabalhos da empresa de auditoria contratada para avaliar as reservas da União no pré-sal. Já no dia 23, será definido o preço final do barril de petróleo extraído do pré-sal, que será utilizado no processo de cessão onerosa à Petrobras.

Como hoje foram divulgados dados nos EUA com viés negativo, a tendência de desvalorização da moeda brasileira ante a americana se acentuou. "Os dados mostram que a economia americana está se desacelerando mais do que o esperado neste semestre e cresce, entre os investidores, a preocupação com o que chamam de "double dip" (um segundo mergulho durante o processo de recuperação). Não é o cenário principal da maioria dos analistas, obviamente, mas esse receio vem aumentando", explicou Rostagno. Segundo ele, com o término da temporada de balanços de companhias, é esperado que os investidores se voltem para os fundamentos econômicos. Rostagno lembrou ainda que o medo de uma piora na economia americana se soma aos indicativos de que a China também passa por um processo de desaceleração do crescimento. No câmbio externo, o euro ganhava do dólar, com valorização de 0,14%, a US$ 1,2874.

(Karin Sato | Valor)
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