UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

19/08/2010 - 12h35

Petrobras e números fracos dos EUA estimulam as vendas nas bolsas

SÃO PAULO - Um aumento da aversão a risco em escala global, desencadeado por números fracos da economia americana, e a queda dos papéis da Petrobras seguem impulsionando o movimento vendedor na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Na cola do cenário externo, por volta das 12h30, o Ibovespa recuava 0,78%, para 67.113 pontos. O volume financeiro negociado girava em torno de R$ 2,35 bilhões. Está é a primeira queda do índice em seis pregões. Em Wall Street, as bolsas apresentam perdas ainda mais expressivas. Minutos atrás, o índice Dow Jones declinava 1,38%, o S & P 500 registrava baixa de 1,53% e o Nasdaq perdia 1,44%.

O humor negativo dos agentes são uma resposta aos números piores que o esperado do mercado de trabalho e da atividade nos Estados Unidos.

Os novos pedidos de seguro-desemprego no país somaram 500 mil na semana fechada no dia 14 deste mês, o que representou um aumento de 12 mil em relação à leitura de uma semana antes (488 mil, revista).

O mercado projetava uma queda do número de pedidos iniciais do benefício no período.

A atividade manufatureira da região da Filadélfia, por sua vez, apresentou debilidade em agosto, ao registrar não apenas uma queda, mas um número negativo. O indicador do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, local diminuiu para -7,7 neste mês, ante +5,1 em julho.

"Do lado econômico, temos indicadores externos mais fracos que o esperado e pesando sobre os mercados. No noticiário interno, a Petrobras está prejudicando a bolsa, em meio a um preço mais alto que o esperado dos barris na cessão onerosa", aponta o analista da Socopa Corretora, Marcelo Varejão.

O analista refere-se à matéria publicada hoje pelo "Estado de S. Paulo", que apontou que a auditoria contratada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para avaliar as reservas da União no pré-sal indicou preço do barril entre US$ 10 e US$ 12.

Os números oficiais, entretanto, ainda não foram divulgados. Para completar o quadro, matéria publicada hoje pelo Valor mostra que a capitalização da estatal corre o risco de ficar para 2011. A reunião de ontem do presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, não foi decisiva. Segundo a reportagem, vão ocorrer novas reuniões, mas, para a estatal, o prazo limite continua sendo 30 de setembro por razões políticas e operacionais. Já o ministério da Fazenda advoga um tempo mais elástico.

Há pouco, as ações PN da Petrobras recuavam 2,42%, para R$ 27,01, com giro de R$ 397,4 milhões, enquanto os papéis ON cediam 3,14%, a R$ 30,52, com volume negociado de R$ 92,5 milhões.

Ainda entre os maiores giros do dia, os papéis PNA da Vale perdiam 0,29%, a R$ 44,15, com total movimentado de R$ 248,2 milhões, enquanto as ações ON da OGX Petróleo subiam 0,75%, a R$ 20,09, com R$ 100 milhões negociados.

Além de Petrobras, figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa os papéis Embraer ON (-3,15%, a R$ 11,36) e Brasil Ecodiesel ON (-5,31%, a R$ 0,89).

Na ponta oposta, destaque positivo para Souza Cruz ON (1,67%, a R$ 77,68), JBS ON (1,29%, a R$ 7,80) e Natura ON (1,17%, a R$ 43,90).

Fora do Ibovespa, destaque para as ações ON da Odontoprev, que declinavam 5,18%, para R$ 18,11. Até ontem, entretanto, as ações acumulavam valorização de 12,35%.

O Banco do Brasil e a OdontoPrev anunciaram nesta quinta-feira uma parceria para venda de planos odontológicos, em caráter de exclusividade, nas mais de 18 mil agências do banco estatal.

(Beatriz Cutait | Valor)
Hospedagem: UOL Host