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19/08/2010 - 14h20

Preços de imóveis residenciais em SP sobem 8% no semestre, diz Secovi

SÃO PAULO - O metro quadrado de área útil de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo ficou 7,9% mais caro na primeira metade de 2010, de acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi-SP). O aumento representa mais que o dobro da variação da inflação no período, já que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,1% nos seis primeiros meses do ano.

O incremento, de acordo com João Crestana, presidente do Secovi-SP, decorre principalmente da expansão do crédito habitacional, que possibilitou a ampliação da demanda. No primeiro semestre, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) liberaram R$ 35 bilhões para financiamento de imóveis residenciais. A expectativa do Secovi-SP é que, no ano, esse valor ultrapasse os R$ 76 bilhões estimados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o que representaria elevação de pelo menos 53%.

Para Crestana, como a demanda deve continuar crescendo em ritmo acelerado nos próximos meses, há espaço para mais aumento nos preços. "Acreditamos que os valores do metro quadrado de área útil continuarão subindo, ficando de 1 a 1,5 ponto percentual acima da inflação", calcula.
Outro fator que contribui para a escala dos preços é a redução nos estoques das construtoras. Desde a segunda metade de 2009, os números vêm decrescendo, sendo que apenas no primeiro semestre deste ano a queda foi de 28%, passando de 12.744 unidades em dezembro para 9.172 unidades em junho.
A falta de terrenos disponíveis na cidade e questões ambientais e ligadas à legislação colocaram um freio na aprovação de novos projetos. Ao mesmo tempo, a melhora nas condições econômicas do país incentivou a ampliação dos lançamentos.
No primeiro semestre, foram lançadas 13,6 mil unidades, 66,5% a mais que no mesmo período de 2009, quando a crise global reduziu drasticamente os negócios das construtoras. O desempenho deste ano, entretanto, não ficou muito abaixo do apresentado em 2008, quando foram lançadas 16,8 mil moradias. Já a comercialização de habitações na primeira metade de 2010 cresceu 18,4% e chegou a 17 mil unidades, superando os lançamentos no período.

Com a oferta em alta e a demanda contida, a velocidade de vendas disparou. No segundo trimestre, 22,9% dos imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo foram vendidos no mês de lançamento. No mesmo período de 2009, esse número era de 17,7%.
O presidente do Secovi-SP ressalta que, se o mercado continuar crescendo neste ritmo, dentro de três ou quatro anos os recursos da caderneta de poupança e do FGTS não serão suficientes para atender à demanda por crédito imobiliário. "Precisamos desenvolver um mercado secundário rapidamente para levantar mais recursos para a habitação. No mundo todo, os fundos de pensão investem fortemente no setor imobiliário e, aqui, esse caminho ainda não foi descoberto", afirma. Caso isso não aconteça, avalia Crestana, a escassez de financiamentos poderá provocar uma ligeira queda nos preços dos imóveis.

(Francine De Lorenzo | Valor)
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