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19/08/2010 - 15h28

Serra critica tratamento dado pelo PT à imprensa

RIO - O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, fez uma dura crítica ao tratamento dado à imprensa pelo PT, legenda da ex-ministra Dilma Rousseff, sua principal concorrente na luta para chegar ao Palácio do Planalto.

A participação do candidato tucano no 8º Congresso Brasileiro de Jornais (CBJ), no Rio de Janeiro, se pautou por um discurso duro e citações nominais ao PT, a quem acusou de incluir no programa de governo tópicos que limitam a liberdade de imprensa e de comandar indiretamente "o pessoal que exerce a patrulha".

De acordo com Serra, o atual governo tenta limitar a liberdade de imprensa de três maneiras. A primeira delas, que o candidato tucano batizou de "conferencismo", consiste, na opinião de Serra, na realização de conferências que produzem material contrário ao livre exercício da opinião.

"Essa é uma via "democrática" de estabelecer o controle. As conferências, pagas com dinheiro público, saem do partido, de frações do partido, basicamente do PT, que é voltado a isso. Elas produzem projetos de lei e produziram cerca de 600 projetos de lei que foram enviados ao Congresso e lá permanecem", frisou o candidato, que chamou de "barbaridade" a proposta de criação de um Conselho Federal de Jornalismo e lembrou as questões incluídas no programa de governo de Dilma registrado na Justiça Eleitoral.

O segundo ponto de controle exercido sobre a imprensa na visão de Serra é o econômico. O candidato criticou a destinação da publicidade governamental.

"É um instrumento que tem sido utilizado com critérios de manipulação que eu nunca vi antes", disse. "Suspeito que tenha grande componente de intimidação. Parece uma loucura com método", acrescentou.

Por fim, Serra citou o patrulhamento da imprensa como a terceira via de intimidação. Ao falar em "perseguições sistemáticas" e em olhos fechados para a propaganda com uso da máquina pública, o tucano deu crédito à coluna da jornalista Dora Kramer, no "Estado de S.Paulo": "Diz ela, não sou eu dizendo, porque isso daria manchete".

"Para o pessoal que exerce a patrulha, que indiretamente é comandado pelo PT, no caso, o que importa são versões, não há fatos objetivos. Se algo acontece, tem outra versão e isso limita a liberdade de expressão", acrescentou Serra, que não poupou nem a TV Brasil, que, segundo ele, "serve como instrumento de poder em matéria de expressão e informação para um partido".

Por fim, o candidato assinou termo em que garante seu compromisso com a liberdade de imprensa e afirmou, ao fim do discurso, "alinhamento incondicional com os que defendem sem margem a dúvidas e sombras de ambiguidade a liberdade de imprensa".

Depois, procurado por jornalistas, Serra se recusou a responder a duas perguntas sobre a situação da oposição no país e a uma terceira, se achava o PT um partido antidemocrático.

Afirmando que só responderia a questionamentos sobre o assunto do Congresso, falou após uma pergunta sobre sua opinião a respeito da liberdade de imprensa.
"Meu compromisso é com a democracia e não há democracia sem liberdade de imprensa. Eu, na presidência da República, vou respeitar até o fundo da alma essa liberdade de expressão e de informação, porque ela é garantia da democracia. Não fosse essa liberdade, não teriam sido descobertos mensaleiros, violadores de sigilos, portadores de dinheiro na cueca e muitas outras coisas", destacou.

(Rafael Rosas | Valor)
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