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19/08/2010 - 18h17

Tesouro não manterá volume de aportes no BNDES, diz Coutinho

RIO - A expectativa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é que a taxa de de juros de longo prazo (TJLP), utilizada para balizar os empréstimos realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), venha a convergir com a taxa básica de juros, a Selic, em 2014 ou em 2015.

"A Selic caminha para patamares cada vez mais menores. A trajetória é descendente. Caminhamos em direção ao padrões internacionais de juros. Com isso, há condições para que haja convergência das taxas, já que agora temos um país mais sólido, com inflação controlada e dívida menor", disse Mantega.
Para o BNDES, a previsão é mais conservadora, ao considerar que a convergência entre as taxas poderá ocorrer até 2018. "Essa é uma velocidade de convergência não satisfatória. O Brasil pode fazer muito melhor do que isso", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
A projeção é que a captação do banco se torne mais cara nos próximos meses, já que o Tesouro Nacional não vai realizar os mesmos aportes realizados desde 2009. Com isso, poderá haver inclusive um encarecimento dos empréstimos para o tomador de crédito no banco de fomento. O objetivo do banco, no entanto, destaca Coutinho, não é prejudicar o investimento. "Há um limite que um projeto suporta. Se o custo de capital ficar caro demais, a taxa interna de retorno fica negativa. Por isso, o custo não pode subir demais senão inviabiliza o investimento", disse.
A convergência entre a TJLP e a Selic é importante para reduzir o custo dos aportes do Tesouro no BNDES. "Poderia chegar o dia em que o BNDES tomaria recursos sem custos no Tesouro", disse Mantega.
No ano passado, com a Selic a 8,75% ao ano, e com a TJLP a 6%, o subsídio do Tesouro no aporte de R$ 100 bilhões, realizados ao BNDES em 2009, foi de R$ 2,75 bilhões, referentes à diferença de 2,75% entre as taxas. Desse montante, cerca de R$ 2 bilhões retornaram para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Mas o lucro registrado pelo banco de fomento de R$ 6,7 bilhões em 2009 supera esse montante. "Esse ano, espero que seja maior. No primeiro semestre, o lucro líquido foi de R$ 3,6 bilhões", disse Coutinho.

(Juliana Ennes | Valor)
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