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23/08/2010 - 17h04

Dólar sobe por piora externa e redução do saldo cambial no mês

SÃO PAULO - A piora de sentimento externo resultou em aumento na demanda por dólares nesta segunda-feira. O preço da moeda subiu pelo terceiro dia seguido, mas continua respeitando o teto da banda de oscilação recente de R$ 1,75 a R$ 1,77.

Depois de cair a R$ 1,752 pela manhã, as compras ganharam fôlego no começo da tarde e se sustentaram até o encerramento dos negócios. Ao final da jornada, o dólar comercial valia R$ 1,767 na venda, alta de 0,39%. O giro no interbancário somou US$ 2 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar apontava alta de 0,46%, para R$ 1,766. O volume subiu de US$ 227 milhões para US$ 313,25 milhões.

Já no mercado futuro, o dólar com vencimento setembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), marcava alta de 0,71%, a R$ 1,7725, antes do ajuste final de posições.

Segundo o analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, o que ajuda a explicar essa alta no preço do dólar é o fantasma da aversão a risco que ronda o mercado externo.

Sem consenso sobre qual o rumo da economia americana e mundial, a formação de preços é errática em quase todos os mercados.
Em Wall Street, o Dow Jones ruma para fechamento em baixa, após uma tentativa de alta agora à tarde. No câmbio externo, o euro perde do dólar e volta a ser negociado na linha de US$ 1,26. E entre as commodities, o barril de WTI recua mais de 1%, para a linha dos US$ 73 o barril.

Ainda de acordo com Paiva, a nova parcial sobre o fluxo cambial apresentada hoje pelo Banco Central também não agradou.

Até a última quinta-feira, dia 19, o resultado era positivo e US$ 988 milhões. O que sugere uma saída de mais de US$ 1,37 bilhão em quatro dias úteis, pois no acumulado do mês até o dia 13, o saldo estava positivo em US$ 2,36 bilhões.

Já as atuações do BC no mercado à vista, enxugaram US$ 2,69 bilhões em agosto até o dia 19. Com isso, temos que o saldo efetivo do mercado de câmbio está negativo em US$ 1,7 bilhão.

Como o BC voltou a comprar mais dólares do que o fluxo, não é surpresa que os bancos tenham voltado a aumentar a posição vendida no mercado à vista. Até o dia 19, o montante vendido estava em US$ 11,98 bilhões, contra US$ 10 bilhões registrados ao fim de julho.

Também em pauta, o resultado das contas externas em julho. Também de acordo com o BC, a conta de transações correntes do Balanço de Pagamentos brasileiro apresentou déficit de US$ 28,26 bilhões no acumulado de janeiro a julho, ou 2,51% do Produto Interno Bruto (PIB). O montante já supera todo o déficit registrado em 2009, de US$ 24,302 bilhões.

Somente em julho, houve déficit de US$ 4,49 bilhões na conta corrente. O resultado foi menor do que o apurado um mês antes, quando o déficit marcou US$ 5,18 bilhões. Em julho do ano passado, o déficit correspondeu a US$ 1,62 bilhão.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, mantém a expectativa de que o déficit projetado de US$ 49 bilhões para 2010 "será financiado com folga".

Segundo Lopes, o financiamento será feito por meio de investimentos externos diretos e por empréstimos de médio e longo prazos.

O BC também mostrou que a entrada de investimentos externos diretos (IED) líquidos no país somou US$ 2,643 bilhões em julho, resultado superior ao esperado pela própria autoridade monetária, que era de US$ 2 bilhões.

Já o Balanço de Pagamentos foi superavitário em US$ 1,845 bilhão em julho. Esse montante é resultado de ingresso de US$ 6,648 bilhões na conta de capital e financeira e déficit de US$ 4,49 bilhões na conta corrente.

(Eduardo Campos | Valor)
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