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23/08/2010 - 12h38

Investimentos e empréstimos devem financiar conta corrente, diz BC

BRASÍLIA - O resultado deficitário da conta corrente foi recorde em julho, no acumulado do ano e em 12 meses, em valores nominais. Para agosto, a previsão do Banco Central (BC) aponta para um déficit de US$ 2,5 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, mantém a expectativa de que o déficit projetado de US$ 49 bilhões para 2010 "será financiado com folga".

Segundo ele, o financiamento será por meio de investimentos externos diretos e por empréstimos de médio e longo prazos.
A piora nas contas externas deriva do aumento da atividade interna, que amplia as importações, gera maiores remessas de lucros e dividendos das multinacionais e gastos mais elevados com serviços, como viagens de brasileiros ao exterior.

Os investimentos diretos, esperados pelo BC em US$ 38 bilhões no ano, somaram US$ 14,7 bilhões de janeiro a julho. Somente em agosto até hoje já ingressaram US$ 1,7 bilhão, com projeção para US$ 2,2 bilhões em todo agosto.
Os desembolsos externos de médio e longo prazos são projetados pelo BC em US$ 36,6 bilhões. De janeiro a julho, ingressaram US$ 33,45 bilhões.

As taxas de rolagem, segundo Lopes, confirmam o aumento desses empréstimos. No ano até julho, a média de refinanciamento pelo setor privado ficou em 225%, acima da projeção do BC de 125% para 2010. Somente em agosto, até hoje, a taxa de rolagem está em 261%, sendo 429% para papéis, como notes e commercial papers, e 188% para empréstimos.

"O aumento dos empréstimos é benigno, porque se destinam a investimentos e são tomados por grandes empresas do setor exportador, a taxas baixas e a prazos generosos", diz Lopes. Ele lembra que a situação atual é inversa do passado, quando o país devia muito, pagava caro e não tinha um colchão US$ 260 bilhões de reservas internacionais, como agora.

Dados do BC divulgados hoje mostram que a conta corrente, que mostra o resultado dos compromissos do país com o exterior ante ingressos de moeda estrangeira em julho, foi deficitária em US$ 4,499 bilhões, o pior para o mês desde a início da série, em 1947.

No acumulado de julho, o déficit na conta corrente ficou em US$ 28,261 bilhões, também o pior para o período. Nos 12 meses terminados em julho, outro recorde negativo, em US$ 43,764 bilhões, ou 2,24% do PIB. Nessa comparação, foi o pior resultado desde setembro de setembro de 2002, quando o déficit foi equivalente a 2,57% do PIB.

Lopes também acredita que, mesmo com a perspectiva de piora nas transações correntes nos próximos anos, "a tendência" é de que o investimento externo direto continue dando cobertura, tendo em vista consultas que o BC tem recebido sobre investimentos futuros em setores como a exploração do petróleo no pré-sal.

(Azelma Rodrigues | Valor)
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