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23/08/2010 - 16h22

Juros longos começam a semana em baixa na BM & F

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros longos seguiram em firme movimento de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco West LB, Ures Folchini, duas notícias publicadas nos jornais de hoje ajudam a explicar esse aumento de demanda pelos juros longos.

A primeira notícia é do Valor, dando conta de que o governo estuda a adoção de medidas para estimular a emissão de papéis de longo prazo, como debêntures e Letras Financeiras (LF). Seriam elas a redução do Imposto de Renda incidente sobre esses títulos e a redução ou eliminação do recolhimento compulsório sobre emissões feitas pelos bancos.

A segunda notícia dá conta de que, em um eventual governo Dilma Rousseff, seria adotado um ajuste fiscal e redução das metas de inflação.

Segundo Folchini esses foram os pontos locais que estimularam a queda nos prêmios. Além desses, o tesoureiro aponta para o mercado externo como fator de estímulo, onde os títulos da dívida dos Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, fazem novas mínimas históricas.

De acordo com Folchini isso mostra que os investidores não estão querendo arriscar sua poupança, pois preferem garantir o principal relegando a rentabilidade ao segundo plano.

E dentro desse movimento de procura por ambiente seguro, o Brasil também acaba se beneficiando. "Os estrangeiros que estão com acesso a esse dinheiro barato e fazem aportes do Brasil."
Folchini lembra que, por estarmos dentro do país, perdemos um pouco da noção de como o Brasil é visto lá fora. E a percepção, diz o especialista, é bastante positiva. O Brasil é visto como um dos países que mais vai crescer nos próximos anos, é um mercado confiável com um sistema financeiro sólido. "Estamos em um momento muito bom", diz o especialista.

O senão, de acordo com Folchini, é que alguns ajustes ainda precisam ser feitos, como investimentos. Fora isso, o crescimento do consumo doméstico requer atenção, para afastar problemas como inflação e bolha no preço de alguns ativos.

Dentro da BM & F os contratos curtos rondaram a estabilidade em um pregão marcado pela baixa liquidez.
Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava alta de 0,01 ponto, a 10,64%. Outubro de 2010 não tinha oscilação, projetando 10,66%. E janeiro de 2011 ganhava 0,01 ponto, a 10,68%.

Entre os longos, janeiro de 2012, o mais líquido do dia, avançou 0,02 ponto, a 11,18%, mas na mínima marcou 11,13%. Janeiro de 2013 caía 0,04 ponto, 11,27%. Janeiro 2014 recuava 0,09 ponto, 11,24%. E janeiro 2015 cedeu 0,13 ponto, para 11,22%.

A liquidez foi um das menores do mês. Até as 16h15, foram negociados 390.480 contratos, equivalentes a R$ 32,46 bilhões (US$ 18,44 bilhões), um terço do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 122.185 contratos, equivalentes a R$ 10,58 bilhões (US$ 6,01 bilhões).

Na agenda do dia o boletim Focus mostrou mudança nos prognósticos de inflação e atividade, mas essas alterações parecem não ter feito preço no mercado.

O que chamou a atenção foi a mudança na projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de 2011. Após 18 semanas estacionado em 4,8%, o prognóstico subiu a 4,86%. Já o IPCA estimado para 2010 cedeu de 5,19% para 5,10%.

O Focus também mostra que a estabilidade da Selic em 10,75% agora em 2010 virou consenso entre os analistas. Na sondagem anterior, a mediana sugeria juro de 11%. Para 2011, os agentes trabalham com Selic em 11,50%.

(Eduardo Campos | Valor)
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