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23/08/2010 - 17h54

Vale e bolsas americanas levam Ibovespa a perder os 66 mil pontos

SÃO PAULO - O mercado acinário brasileiro iniciou a semana em baixa, com um pregão de fraco volume e de poucas notícias. Diante de uma agenda esvaziada de indicadores econômicos, os investidores se voltaram para o front corporativo.

A queda dos papéis da Vale e das bolsas americanas levou o Ibovespa a perder os 66 mil pontos, fechando no vermelho pelo terceiro pregão seguido.

O índice encerrou o dia com desvalorização de 1,04%, aos 65.981 pontos, na mínima do dia. O giro financeiro atingiu R$ 4,109 bilhões.

Em Wall Street, o dia foi de instabilidade nas praças acionárias e a queda das bolsas se consolidou apenas ao fim dos negócios.

O índice Dow Jones teve baixa de 0,38%, o Nasdaq registrou desvalorização de 0,92%, e o S & P 500 cedeu 0,40%. A queda de hoje também foi a terceira consecutiva das bolsas americanas.

O destaque dos negócios ficou por conta dos anúncios feitos por empresas estrangeiras, como as conversações entre o HSBC e o Old Mutual PLC para a compra de uma fatia majoritária no Nedbank Group por US$ 6,8 bilhões.

Além disso, a HP passou à frente da concorrência e fez uma oferta de US$ 1,6 bilhão (US$ 24 por ação) pela empresa de administração de armazenamento de dados 3PAR. Há cerca de uma semana, a Dell havia anunciado uma oferta de US$ 1,15 bilhão pela mesma empresa.

O foco desta segunda-feira, entretanto, se voltou para a possível aquisição da Potash Corp. pela Vale.

O Conselho de Diretores da Potash Corporation of Saskatchewan Inc. rejeitou a oferta não solicitada feita pela BHP Billiton para adquirir as ações em circulação da companhia. O valor oferecido pela anglo-australiana havia sido de US$ 39 bilhões.

A Potash, entretanto, informou que foi abordada e iniciou contato com uma série de "terceiras partes que manifestaram interesse em considerar transações alternativas".

Na semana passada, o Wall Street Journal (WSJ) havia reportado que alguns analistas já tinham cogitado que a Vale e a Rio Tinto seriam os compradores mais lógicos para a Potash.

Em nota, entretanto, a Vale informou que "são totalmente infundados os rumores de que teria feito proposta de compra por empresa produtora de fertilizantes ou de que estaria em negociações com o objetivo de fazer uma proposta de compra".

O analista da Magliano Corretora, Henrique Kleine, assinala que um valor próximo de US$ 40 bilhões, já rejeitado pela Potash, é considerável e que "não soa bem" para os acionistas da Vale, que mostram preocupação com um financiamento da mineradora.

O estrategista da BGC Liquidez, Leonardo Bardese, ompartilha da avaliação de Kleine. "O mercado está precificando uma guerra entre as empresas, com uma oferta mais alta que a já oferecida pela BHP. O mercado está receoso que a Vale pague caro pelos ativos da Potash", pontuou.

Nesta jornada, as ações PNA da Vale recuaram 2,42%, a R$ 42,30, com volume movimentado de R$ 570,7 milhões, enquanto os papéis ON caíram 2,86%, a R$ 47,83, com giro de R$ 185,5 milhões.

Ainda entre os maiores negócios do dia, as ações PN da Petrobras perderam 0,44%, a R$ 26,66, com giro de R$ 281,1 milhões, enquanto os papéis ON da OGX Petróleo tiveram decréscimo de 0,48%, a R$ 20,35, com total negociado de R$ 216,9 milhões.

As maiores valorizações do Ibovespa partiram dos papéis Brasil Ecodiesel ON (2,27%, a R$ 0,9), Souza Cruz ON (1,78%, a R$ 79,3) e Cosan ON (1,04%, a R$ 23,25).

Já as principais baixas ficaram com Cesp PNB (-3,13%, a R$ 26,25), Gol PN (-3,43%, a R$ 23,02) e JBS ON (-4,21%, a R$ 7,28).

A Fundação Procon-SP revelou hoje que vai instaurar um processo contra a Gol, já que a companhia infringiu Código de Defesa do Consumidor por atrasos e cancelamento de voos. A Gol responderá a um processo administrativo, podendo, ao final deste, ser multada entre R$ 200 e R$ 3 milhões.

(Beatriz Cutait | Valor)
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