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24/08/2010 - 12h12

Dólar passa a cair, mesmo após a divulgação de dados ruins nos EUA

SÃO PAULO - O dólar mudou de direção. Depois de passar grande parte da manhã com forte alta ante o real, o preço da moeda começou a cair e, agora, opera em território negativo.
Após a divulgação de que as vendas de casas antigas nos Estados Unidos diminuíram mais do que o esperado pelo mercado em julho, de acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA (NAR, na sigla em inglês), a valorização da moeda americana passou a diminuir, curiosamente.

Por volta das 12h10, o dólar comercial tinha ligeira perda de 0,05% ante o real, cotado a R$ 1,764 na compra e a R$ 1,766 na venda. Na máxima, a moeda foi a R$ 1,783. No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM & F cedia 0,28%, cotado a R$ 1,768.
Em um contexto de aversão ao risco, o normal é que a moeda americana se valorize, uma vez que os investidores costumam fugir de ativos mais arriscados. Na opinião do gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, o motivo é que os agentes aproveitaram a alta do dólar observada desde o início dos negócios para zerar suas posições vendidas.

"Vez ou outra, os investidores zeram posições vendidas que se mostram desconfortáveis. Assim, mesmo que o dólar suba para mais de R$ 1,79, o que é possível, considerando o cenário atual, eles podem ficar despreocupados", explicou Galhardo.
Segundo o gerente de câmbio, há investidores desesperados, com medo de que os Estados Unidos e a Europa entrem em recessão novamente. "Há uma semana, são divulgados apenas dados negativos nos EUA. Na Europa, com exceção de alguns países como a Alemanha, muitas economias estão estagnadas", disse.
Nesta terça-feira, o prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, fez um alerta quanto ao risco de a Europa entrar em um novo ciclo de retração. "Cortar os investimentos com alto retorno apenas para fazer o déficit parecer melhor é uma verdadeira bobagem", disse Stiglitz em entrevista à rádio irlandesa RTE.

Em Wall Street, há pouco, os índices Dow Jones e S & P 500 tinham declínio por volta de 0,9%. Por aqui, o Ibovespa cedia mais de 1%.

Dentro deste contexto de aversão ao risco, as commodities têm queda forte nesta sessão. Minutos atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, tinha perda de 1,21%.
Galhardo lembrou que os investidores seguem à espera da capitalização da Petrobras em setembro, mas, em sua opinião, a possibilidade de adiamento da operação não está afetando o câmbio, neste momento. "Se a prorrogação for confirmada, haverá pressão sobre o dólar, porque o pessoal vai zerar suas posições antes da operação", analisa.
Ele faz questão de ressaltar também que o cenário continua positivo para o real, devido à taxa de juro "agressiva" do Brasil, à perspectiva positiva de ingresso de recursos externos e ao bom momento da economia brasileira. "Deixamos de ser um país de risco a partir do momento que ganhamos o grau de investimento das agências de classificação de risco", enfatiza.
No câmbio externo, o euro mudou de direção. Depois de observar forte queda ante o dólar durante praticamente toda a manhã, a moeda passou a se valorizar após a divulgação de indicadores com viés negativo nos Estados Unidos. "O euro está se recuperando nesta sessão, devido à percepção de que a economia americana não está bem", completa. Há pouco, a moeda comum europeia tinha alta de 0,22%, a US$ 1,2701. Na mínima, foi a US$ 1,2593.

(Karin Sato | Valor)
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