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24/08/2010 - 16h12

Juros longos seguem atraindo investidores

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros longos chegaram a ensaiar alta no pregão desta terça-feira, mas tornaram a perder prêmio de risco. Entre os contratos curtos, os preços seguiram rondando a estabilidade, conforme o mercado já consolidou as apostas de Selic inalterada em 10,75% ao ano no encontro da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom).

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava estabilidade a 10,63%. Outubro de 2010, o mais líquido do dia, também não tinha oscilação, projetando 10,66%. E janeiro de 2011 ganhava 0,01 ponto, a 10,69%.

Entre os longos, janeiro de 2012 cedeu 0,03 ponto, a 11,15%. Janeiro de 2013 caía 0,03 ponto, 11,23%. Janeiro 2014 recuava 0,07 ponto, 11,16%.

A liquidez voltou a subir depois do fraco volume de negócios de ontem. Até as 16h10, foram negociados 1.460.630 contratos, equivalentes a R$ 134,02 bilhões (US$ 76,20 bilhões), quase quatro vezes mais do que o registrado ontem. O vencimento outubro de 2010 foi o mais negociado, com 676.710 contratos, equivalentes a R$ 66,94 bilhões (US$ 38,06 bilhões).

Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, a formação de preço continua determinada pela piora na expectativa quanto à recuperação na atividade mundial.

Nepomuceno explica que o mercado enxerga menor atividade, menor inflação e, consequentemente, menores taxas de juros. As curvas de juros no mercado externo também apontam para baixo por essa mesma razão.

"Esse não é um movimento que acontece só no Brasil", diz o estrategista. Nepomuceno, lembra que o referencial é o juro americano, que quando cai e acena que vai ficar em baixa por muito tempo, estimula uma corrida de capital para outros mercados. Nessa dinâmica, o Brasil é beneficiado por oferecer um juro real alto com relativa segurança, como não apresentar riscos no setor financeiro, ter um crescimento sustentado e não ter problemas de financiamento no curto e médio prazo.

Além dos DIs, mais um sinal de que a demanda pelo país segue firme vem do mercado de títulos. O Tesouro Nacional voltou a ofertar títulos com taxas decrescentes. Hoje, foram colocadas Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B) com vencimento em 2013, com taxa média de 6,01%, contra taxa média de 6,43% da oferta do dia 10 de agosto.

Na operação de hoje, o Tesouro vendeu 2,34 milhões de NTN-Bs, com vencimento em 2013, 2015, 2020, 2030, 2040 e 2050, levantando R$ 4,53 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor)
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