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24/08/2010 - 14h05

Vice de Serra classifica PAC como fracasso e acusa Dilma de despreparo

SÃO PAULO - Com críticas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB), deputado Indio da Costa (DEM-RJ), afirmou hoje que Dilma Rousseff (PT) está despreparada para governar o Brasil.

"O PAC foi um fracasso. Para chegar à Presidência, seria uma negação eleger alguém que nunca foi vereadora, nunca foi deputada. Ela vem por indicação de um político bem avaliado. Isso é um grave risco para o país", disse Indio durante debate entre os candidatos a vice-presidente. A candidatura de Dilma foi imposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o deputado do DEM, o PAC revelou que a ex-ministra da Casa Civil é uma "péssima gerente", uma vez que o programa "está empacado " e só tem "marketing" em torno dele. Em seguida, Indio provocou o candidato a vice na chapa de Marina Silva (PV), Guilherme Leal, ao questionar se ele contrataria Dilma para ser gerente de sua empresa. O empresário respondeu que teria sérias dúvidas.

O vice de Serra ainda acusou o PT de ser incapaz de reconhecer que os avanços sociais e econômicos do atual governo são fruto da gestão de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República (1995-2002).
"O FHC é um estadista. Se ele não tivesse feito o Real, não teria a estabilidade. A atual Bolsa Família era Bolsa Escola, nasceu no governo FHC. Essa negação do PT de reconhecer que foi o PSDB que preparou o terreno é absurda", afirmou.

Vice de Dilma, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), defendeu a petista dos ataques de Indio. "Ela tem o dinamismo paulista e a capacidade de superação nordestina. Ela é a síntese do Brasil. Ela nunca disputou eleição, mas ela entrou nessa eleição com uma capacidade extraordinária e enfrenta muito preconceito por ser firme".

Temer também rejeitou a ideia de que o seu partido, o PMDB, forma alianças de olho na distribuição de cargos. "Na aliança PT e PMDB, o PMDB terá a Vice-Presidência. E participaremos do programa de governo. Esses são os únicos compromissos. Não há nada disso de partilha de cargos. Nosso regime é presidencialista. É a presidente eleita que vai chamar os partidos. O que o PMDB vai fazer é colaborar com o governo. O PMDB repudia essa coisa do fisiologismo", argumentou.

Indio não ficou satisfeito com a resposta e ressaltou que o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (DNIT) e outros órgãos públicos foram politizados. "Uma coisa é o discurso, outra coisa é a prática. Na prática, o PT ocupou todos os níveis de governo. É um caos total do ponto de vista dos serviços", disse.

No final do debate, ao concordar com Temer que o Brasil está crescendo, Leal frisou que ainda há gargalos na infraestrutura, sobretudo por causa da falta de planejamento.
"O Estado onera com carga tributária elevadíssima. Isso por conta de um Estado que é, sim, muito partilhado e muito influenciado por este regime político de PT e PMDB. As duas candidaturas aqui apresentadas reproduzem esse regime para o futuro", declarou Leal, destacando que a proposta de Marina prevê um governo com "os melhores quadros" de cada partido.

(Fernando Taquari | Valor)
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