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25/08/2010 - 18h52

Lucro da L'Oréal sobe; escândalos não afetam resultados, diz executivo

SÃO PAULO - A gigante de cosméticos L'Oréal encerrou o primeiro semestre do ano com lucro líquido de 1,3 bilhão de euros, uma alta de 21% frente ao registrado no mesmo período do ano passado. As vendas da companhia cresceram 10,2% no período, para 9,7 bilhões de euros.

Mesmo diante dos bons resultados, que mostram a recuperação da empresa após a desaceleração durante a crise, o executivo-chefe da companhia, Jean-Paul Agon, alertou para uma possível desaceleração no segundo trimestre.

"Os resultados apresentaram um crescimento forte, embora é importante enfatizar que os dados semestrais não são particularmente representativos", afirmou o executivo, em nota. Aproveitando a divulgação dos resultados, Agon fez questão de enfatizar à imprensa internacional que as questões legais que envolvem a controladora da L ' Oréal, Liliane Bettencourt, não têm impactos nos negócios diários da companhia.

"Essas questões não prejudicam os negócios da empresa, como pode ser visto no nosso desempenho", afirmou o executivo. A empresa passa por um momento delicado na França. Françoise Bettencourt-Meyers, filha da controladora da L'Oréal, acusa o fotógrafo e artista plástico François-Marie Banier, de ter abusado da fragilidade psicológica de sua octogenária mãe para extorquir 1 bilhão de euros em dinheiro, obras de arte e propriedades, além de contratos de seguro de vida.

O caso virou também um escândalo político. Gravações realizadas pelo ex-mordomo de Liliane sugerem que a bilionária teria escondido dinheiro em paraísos fiscais e envolvem o ministro do Trabalho, Eric Woerth. O ministro teria feito vista grossa à suposta evasão fiscal da herdeira, além de ter recebido doações ilegais de Bettencourt para campanhas políticas, inclusive para a do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em 2007.

Liliane é a mulher mais rica da França e tem uma importante participação na Nestlé. Sua fortuna é calculada em 17 bilhões de euros. A disputa familiar na justiça deve até virar filme, nas mãos do produtor de cinema Thomas Langmann, como já publicou o jornal francês Le Monde. (Vanessa Dezem | Valor, com agências internacionais)

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