UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

25/08/2010 - 17h02

Lula tomará decisão política sobre preço de barril para Petrobras

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que tomará uma decisão política no processo que definirá o preço do barril de petróleo a ser utilizado na capitalização da Petrobras.

"Estou aqui para tomar a decisão política. Quando os técnicos se puserem de acordo, tomarei a decisão política", afirmou Lula, por meio de seu porta-voz, na saída de um almoço com a delegação do governo de Guiné Bissau, no Itamaraty.

Nesta tarde, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, voltará a reunir representantes do governo e da Petrobras para tentar, mais uma vez, chegar a um consenso sobre o preço do barril que definirá o montante a ser alavancado na operação financeira envolvendo a estatal. A lei, sancionada pelo presidente Lula, prevê a destinação de até cinco bilhões de barris à companhia.

Outra pendência da capitalização da Petrobras envolve o volume da reserva de pré-sal escolhida pelo governo para constar no contrato de cessão onerosa. Os técnicos da estatal e da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) divergem sobre as reservas do poço de Franco, localizado na bacia de Santos.

Até ontem, Erenice Guerra mantinha a data de 30 de setembro para a assinatura do contrato de cessão onerosa entre a União e Petrobras. Ou seja, tanto o preço do barril quanto o volume da reserva devem ser definidos até a próxima segunda-feira (30) para haver tempo hábil para realização de road show da oferta de ações.

A estimativa da ANP divulgada este ano aponta para um volume de 4,5 bilhões de barris nas reservas de Franco. Outras reservas que poderiam ser utilizadas pela Petrobras para complementar estão nas áreas ainda não licitadas do pré-sal, mas que ainda também dependem de avaliação sobre o volume.

A avaliação sobre a quantidade de petróleo inferior à estimada pelo governo poderia comprometer o montante de recursos a ser utilizado na transação, principalmente se o preço do barril for considerado baixo - menor que US$ 8. O mercado estima que a operação será uma das maiores do mercado de capitais global, entre US$ 60 bilhões e US$ 100 bilhões.

Nesta tarde, o ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmerman, voltará a se reunir com Erenice. Há expectativa de que o presidente da Petrobras, José José Sergio Gabrielli, também participe do encontro. A assessoria da estatal informou que o executivo passará o dia em Brasília.

(Rafael Bitencourt | Valor)
Hospedagem: UOL Host