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26/08/2010 - 11h53

Taxa de desemprego tem menor média da história em 2010, aponta IBGE

RIO - A recuperação do mercado de trabalho depois da crise financeira que assolou o mercado global no fim de 2008 levou a média da taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a 7,3%, o menor patamar da série histórica para os sete primeiros meses do ano. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada hoje, a menor média de desocupação no período ficou com Porto Alegre, com 5%. No ano passado, a média da desocupação nos sete primeiros meses do ano foi de 8,5%, enquanto o antigo recorde tinha sido em 2008, com 8,2%. Em julho, a taxa de desocupação foi de 6,9%, com 4,8% em Porto Alegre.

Apesar dos baixos patamares de Porto Alegre, o coordenador da PME, Cimar Azeredo, chamou a atenção para o desempenho do mercado de trabalho em São Paulo. Segundo ele, a média de desocupação na região metropolitana da capital paulista foi de 7,8%, também a menor da série para a série, iniciada em 2003.

"São Paulo é a região que mais se destaca em todos os indicadores. É uma região farol, o que acontece ali se propaga", frisou Azeredo, lembrando que a população ocupada de São Paulo responde por 42% do total da população ocupada registrada pela PME.

A taxa de desocupação de 6,9% em julho nas seis regiões metropolitanas foi considerada pelo IBGE como a melhor da série histórica, apesar de ainda ser pior que os 6,8% registrados em dezembro. Azeredo explicou que, caso a série fosse dessazonalizada, o desempenho de julho mostraria avanços na comparação com o último mês do ano passado.

"A menor taxa da série é esta porque, se retirar o efeito sazonal, dezembro vai ser maior que essa taxa", frisou Azeredo, que vê com boas perspectivas o desempenho do mercado de trabalho. "A tendência da taxa de desocupação, pela série histórica, é apresentar sempre o valor mais baixo em dezembro. Daqui para frente, a expectativa é que a taxa venha a apresentar redução. Estamos diante da menor taxa da série e a expectativa é de que essa taxa venha a cair ainda mais em função da análise da série histórica da pesquisa", acrescentou.

O técnico do IBGE frisou que os resultados de julho apontam para uma constante evolução do mercado de trabalho nas seis regiões metropolitanas depois de superados os efeitos da crise financeira internacional.

Em termos de população ocupada, julho mostrou pela primeira vez na série histórica, iniciada em março de 2002, o rompimento do patamar de 22 milhões. No mês passado as seis regiões metropolitanas pesquisadas somaram 22,020 milhões de pessoas ocupadas, enquanto a média de janeiro a julho também mostrou recorde, com 21,802 milhões, 3,5% a mais que os 21,060 milhões de janeiro a julho do ano passado. A única queda na ocupação em 2010 aconteceu entre dezembro e janeiro, quando a dispensa de temporários contratados para as vendas de fim de ano levou a um tombo de 1% na ocupação.

Na outra ponta, julho registrou recorde de baixa para a população desocupada, com 1,644 milhão de pessoas. A média da desocupação entre janeiro e julho foi de 1,708 milhão, a mais baixa da série para os sete primeiros meses do ano, abaixo do recorde anterior de 1,878 milhão de 2008.

Azeredo também destacou o comportamento das contratações na indústria paulista, que subiram 4,1% entre junho e julho, o maior crescimento desde os 5,8% de agosto de 2009.

"Isso mostra o quão vigoroso está o mercado de trabalho, principalmente em São Paulo", disse Azeredo, lembrando que a população ocupada na indústria paulista, de 1,952 milhão de pessoas, representa 48% de todos os empregados na indústria nas seis regiões metropolitanas que compõem a PME.

O rendimento também teve alta expressiva, atingindo R$ 1.452,50 em julho, uma alta de 5,1% em relação da julho do ano passado, na maior alta desde os 5,9% de janeiro de 2009. Segundo o técnico do IBGE, o aumento do rendimento foi puxado pelo crescimento das contratações na indústria e no setor de educação, saúde e administração pública, setores que empregam com salários mais altos dado o nível de escolaridade exigido.

"O aumento do rendimento só é possível com o cenário econômico favorável", ponderou, lembrando que o rendimento médio nos sete primeiros meses do ano foi de R$ 1.423,67, novo recorde da série e superior aos R$ 1.393,76 dos sete primeiros meses do ano passado.

(Rafael Rosas | Valor)
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