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02/09/2010 - 11h56

DIs sofrem ajuste após decisão do Copom

SÃO PAULO - Após a esperada manutenção da taxa básica de juros no patamar de 10,75% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciada na noite de ontem, o mercado de juros futuros passa por um ajuste nesta quinta-feira.

Enquanto os contratos mais curtos registram queda, diante da avaliação de fim do ciclo de aperto monetário em 2010, os vencimentos mais longos têm um aumento dos prêmios, com os agentes de olho nos próximos passos do Banco Central (BC).

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), há pouco, o Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2011 cedia 0,05 ponto percentual, a 10,66%, e o contrato de outubro de 2010 recuava 0,026 ponto, a 10,641%. Além disso, o contrato de janeiro de 2012 caía 0,06 ponto, a 11,33%.

Na parte mais longa da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2013 avançava 0,02 ponto, a 11,61%, e o DI do início de 2014 tinha alta de 0,05 ponto, a 11,57%.

A decisão do Copom foi unânime. "Ao mesmo tempo que não espera que o nível de inflação registrado nos últimos meses se mantenha em um futuro próximo, o Copom observa a continuação do processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde sua penúltima reunião. Nesse contexto, o comitê avalia que, neste momento, a manutenção da taxa de juros básica no nível estabelecido em sua reunião de julho proporciona condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas", observou a instituição, em seu comunicado.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, ressalta que o Copom deixou claro que não vai mais mexer na Selic neste ano
"Ele mostrou que está satisfeito com o cenário inflacionário e que a economia deve caminhar para uma moderação do crescimento compatível com a Selic em 10,75%", ressaltou.

O economista acredita, entretanto, que o BC deve voltar a elevar a Selic em 2011, tendo em vista que o quadro econômico segue "extremamente aquecido principalmente pelo lado da demanda, que o crédito continua em expansão e que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria está bastante elevado".

"A Selic a 10,75% não é uma taxa neutra e isso vai exigir alguma retomada do aperto monetário no ano que vem", observou Rosa.

Para a SulAmérica Investimentos, os juros básicos brasileiros precisam subir até ao menos 12% para que a economia possa ser recolocada num patamar de equilíbrio entre a oferta e a demanda.

(Beatriz Cutait | Valor)
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