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02/09/2010 - 16h22

DIs sugerem Selic estável até o fim de 2010

SÃO PAULO - Passada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic estável em 10,75%, os contratos de juros futuros, especialmente os mais longos, tiveram um pregão instável na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Depois de uma tentativa de alta no começo do pregão, os contratos fecham o dia apontando para baixo.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 apontava baixa de 0,09 ponto, a 11,30%. Janeiro de 2013 caía 0,03 ponto, a 11,56%, depois de subir a 11,63%. E janeiro 2014 também devolvia 0,03 ponto, 11,49%.

Entre os curtos, outubro de 2010, o mais líquido do dia, mostrava queda de 0,03 ponto a 10,63%. Novembro de 2010 perdia 0,02 ponto, a 10,65%. E janeiro de 2011 projetava 10,66%, baixa de 0,05 ponto.

A liquidez foi bastante elevada. Até as 16h10, foram negociados 2.414.425 contratos, equivalentes a R$ 228,87 bilhões (US$ 131,22 bilhões), mais que o dobro do registrado ontem. O vencimento outubro de 2010 foi o mais negociado, com 1.360.745 contratos, equivalentes a R$ 134,98 bilhões (US$ 77,39 bilhões).

O comunicado apresentado junto com a decisão do colegiado do Banco Central teve a seguinte redação: "Ao mesmo tempo em que não espera que o nível de inflação registrado nos últimos meses se mantenha em um futuro próximo, o Copom observa a continuação do processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde sua penúltima reunião. Nesse contexto, o Comitê avalia que, neste momento, a manutenção da taxa de juros básica no nível estabelecido em sua reunião de julho proporciona condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas."
O estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, tira duas conclusões principais das afirmações acima. Primeiro, o Copom vê o cenário externo favorecendo a inflação doméstica. Segundo, que ao mencionar que antevê um repique da inflação, sinaliza que não vai alterar a taxa de juros por causa disso. Então, a Selic segue em 10,75% até o encerramento do ano.

Ainda com base no comunicado, o especialista acredita que o BC volta a dar mais ênfase às projeções de inflação e não mais aos dados de curto prazo, como evidenciado pelas últimas duas decisões.

Olhando agora para 2011, o ponto fundamental da análise de Rostagno é o comportamento do cenário externo. Se a economia americana voltar a se recuperar de forma mais acentuada e, assim, influenciar a inflação, o Copom deve voltar a subir os juros.

Rostagno aponta que a Selic em 10,75% ainda tem caráter de estímulo monetário, pois está abaixo da taxa considerada neutra pelo especialista de 11,75%. Como o cenário base do estrategista prevê essa retomada dos EUA, ele acredita em aperto monetário em 2011.

Olhando agora para a curva futura, a queda nos vencimentos curtos, segundo Rostagno, é um movimento natural de ajuste após decisão do Copom. Apesar de poucas, ainda existiam algumas apostas de alta na taxa básica.

Os contratos intermediários, perdem prêmio em função dessa visão mais tranquila quanto a inflação dada pelo próprio Copom. Já os de prazo mais longo seguem oscilando conforme o humor externo, a aversão ao risco e as movimentações dos investidores estrangeiros.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional vendeu todas as 4,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) que ofertou, levantando R$ 3,54 bilhões. Também foram colocadas 1.662.400 Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), das 2,5 milhões de notas ofertadas, movimentando R$ 1,57 bilhão. Das 500 mil NTN-Fs com vencimento em 2021, 492.400 foram tomadas, mostrando boa demanda por juro longo prefixado.

(Eduardo Campos | Valor)
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