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06/09/2010 - 07h53

Petrobras foi destaque na Bolsa e dólar caiu a R$ 1,731 na sexta

SÃO PAULO - O assunto que pautou o pregão da sexta-feira nos mercados brasileiros foi a oferta de ações da Petrobras. A estatal apresentou o prospecto da oferta que deve movimentar mais de R$ 128 bilhões. As considerações envolvendo a operação determinaram o rumo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou com leve baixa, e tiveram implicação no câmbio, com o dólar fechando no menor preço desde janeiro. Já o mercado de juros futuros repercutiu o crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que ficou acima do previsto.

No mercado externo o tom dos negócios foi dado pelo relatório sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos (EUA). Foram perdidos 54 mil postos de trabalho em agosto. Esse resultado melhor do que o esperado deu fôlego às bolsas americanas.

O Dow Jones, que chegou a perder os 10 mil pontos no começo da semana, encerrou a sexta-feira marcando 10.447 pontos, uma alta de 1,24%, sobre o pregão de quinta-feira, e um avanço semanal de 2,9%. Já o S & P 500 teve acréscimo de 1,32%, para 1.104 pontos, ganhando 3,7% na semana. E o Nasdaq se valorizou 1,53%, para 2.233 pontos, ganhando, também, 3,7% na semana.

Para a semana que começa, a agenda é pouco relevante no âmbito externo. Foco, mesmo, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e no Índice de Preços ao consumidor Amplo (IPCA) de agosto. Cabe lembrar que hoje o mercado americano não opera e amanhã são as bolsas brasileiras que estão fechadas em função de feriado.

De volta à sexta-feira e ao mercado local, o Ibovespa recuou 0,19%, aos 66.678 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,413 bilhões, sendo que mais de R$ 1,6 bilhão foram movimentados pelas ações da Petrobras. Na semana, o índice acumulou ganho de 1,67%.

Segundo operadores do mercado, grande parte dos investidores realocou seus recursos de olho na valorização potencial dos ativos da Petrobras o que prejudicou outros papéis e pressionou o Ibovespa.

"Vimos uma alta forte dos papéis da Petrobras e a queda dos outros, em consequência da capitalização. Os investidores estão vendendo alguns ativos para fazer caixa e há muito investidor ' vendido ' em Petrobras zerando suas posições. Tivemos um ajuste no mercado", apontou o gestor de renda variável da Máxima Asset, Felipe Casotti.

Juntas, as ações da Petrobras responderam por 26% do giro total da Bovespa. Os papéis PN subiram 4,34%, para R$ 28,80, e movimentaram R$ 1,315 bilhão, enquanto as ações ON se apreciaram em 4,70%, a R$ 32,71, com total negociado de R$ 330,5 milhões. Na semana, as ações ON (9,22%) e PN (8,43%) da Petrobras tiveram as maiores altas da Bovespa.

O mercado de câmbio teve dois momentos distintos. Uma forte pressão vendedora no começo da manhã, que levou o dólar para baixo de R$ 1,720, em meio aos detalhes sobre a oferta de ações da Petrobras e fluxo de recursos para o país. E a recomposição de posições no período da tarde, seja para cobertura de posições vendidas, afinal, o preço ficou convidativo, ou pela redução de exposição em função dos feriados da semana.

Depois de fazer mínima a R$ 1,718, o dólar comercial recuperou boa parte das perdas, mas ainda fechou com baixa de 0,05%, a R$ 1,731 na venda. Esse é o menor preço desde 8 de janeiro, quando a moeda valia R$ 1,730. Na semana, a divisa perdeu 1,25%. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 3,0 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar apontava desvalorização de 0,05%, para R$ 1,7333. O volume subiu de US$ 150,75 milhões para US$ 208,75 milhões.

Segundo o gerente da mesa de câmbio da BGC Liquidez, Francisco Carvalho, essa volta no preço do dólar pode ser vista com naturalidade, tanto pela intensidade da queda no começo do dia, quanto pelo efeito calendário, pois os agentes zeram posições antevendo menor liquidez em função dos feriados.

No entanto, diz Carvalho, o viés para o preço da moeda segue de baixa. Agora, de posse de mais detalhes sobre a oferta de ações da Petrobras, que deve movimentar mais de R$ 128 bilhões, os agentes começam a fazer as contas e estimar o quando desse dinheiro pode vir do mercado externo.

O especialista lembra que a média histórica de participação dos estrangeiros em ofertas de ações no mercado local fica entre 60% a 70% do total. Fica a dúvida, também, de como o Banco Central vai lidar com essa entrada externa de recursos.

Carvalho ainda chama a atenção aos movimentos no mercado futuro. O número de contratos em abertos aumentou de forma acentuada na virada do mês.

Pelos últimos dados disponíveis, temos os estrangeiros vendidos em US$ 5,72 bilhões em contratos de dólar futuro e em outros US$ 5,15 bilhões em contratos de cupom cambial. O que resulta em exposição total de US$ 10,87 bilhões, uma das maiores já observadas.

Na ponta oposta, temos os bancos comprados em US$ 3,90 bilhões em dólar futuro e outros US$ 4,16 bilhões comprados em cupom cambial. Assim, a posição comprada fica em US$ 8,07 bilhões.

Segundo Carvalho, esse aumento de oposições mostra os agentes já se preparando para a entrada de recursos e as implicações disso no preço dos ativos.

No entanto, pondera o especialista, passado o evento "capitalização da Petrobras" toda essa pressão de venda deve acabar e o mercado pode voltar a olhar um pouco mais para a influência do cenário macroeconômico na formação da taxa de câmbio. Como as contas externas seguem piorando, o viés para o preço passaria a ser de alta.

No mercado de juros futuros, os negócios ficaram concentrados nos vencimentos longos, que terminaram o pregão apontando para cima na BM & F.

Na pauta do dia, o crescimento da economia brasileira no segundo trimestre. O PIB cresceu 1,2%, contra as previsões que oscilavam entre 0,5% e 1%, sobre os três primeiros meses do ano. No comparativo com igual período de 2009, a expansão foi de 8,8%.

Segundo o diretor de gestão da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, o ajuste de alta que se observa hoje pode ser atribuído ao crescimento do PIB, afinal os números ficaram pouco acima do esperado.

Além disso, lembrou o especialista, os juros no mercado americano também apontaram para cima, após o resultado melhor do que o previsto apresentado pelo mercado de trabalho, o que tirou dinheiro dos títulos e levou para o mercado de ações.

No entanto, ponderou de La Rocque, esse resultado do PIB não muda o cenário de médio de prazo. Estados Unidos e Europa seguirão com crescimento mais moderado contribuindo para a manutenção da atual instância de política monetária pelo Banco Central.

Na visão do especialista, a Selic deve ficar estável em 10,75% até o final do ano e em parte de 2011. " Agora, a perspectiva passa a ser mais de queda do que de alta nos juros em 2011." Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,04 ponto, a 11,37%. Janeiro de 2013 subia 0,05 ponto, a 11,63%. E janeiro 2014 avançava 0,03 ponto, 11,57%.

Entre os curtos, outubro de 2010 mostrava estabilidade a 10,63%. Novembro de 2010 saía a 10,65%, sem alteração. E janeiro de 2011 projetava 10,67%, também sem oscilação.

Até as 16h10, foram negociados 583.205 contratos, equivalentes a R$ 50,11 bilhões (US$ 28,87 bilhões), apenas um quarto do registrado na quinta-feira, pregão que marcou o ajuste de negócios após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 184.140 contratos, equivalentes a R$ 15,97 bilhões (US$ 9,19 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)
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