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13/09/2010 - 18h47

Dependência de commodities pode limitar crescimento, diz Bird

SÃO PAULO - O aumento na demanda por países asiáticos, sobretudo a China, por minérios e produtos agrícolas tem sido benéfico para os países da América Latina e contribuiu de forma decisiva para tirar essas economias da crise financeira mundial. No entanto, a dependência dos recursos naturais também pode configurar um obstáculo ao desenvolvimento, especialmente, se os países da região não souberem administrar essa bonança, diz estudo do Banco Mundial (Bird), 'Recursos Naturais na América Latina e Caribe: Indo Além das Altas e das Baixas'.

"A rapidez da recuperação na América Latina e sua resistência à crise global podem ser atribuídas, em parte, ao aumento das exportações de commodities da região para economias emergentes da Ásia", afirmou Augusto de la Torre, economista-chefe do Banco Mundial para América Latina e Caribe. "Supondo que continue a demanda asiática por exportações como a soja argentina, o minério de ferro do Brasil, o cobre do Chile, os minérios do Peru e outras matérias-primas latino-americanas, a região estará em posição sólida para lucrar com seus recursos naturais", acrescentou. O estudo mostra que os lucros da recuperação impulsionada pelos produtos básicos podem ajudar a região a aproveitar a oportunidade de crescimento, proporcionando maior espaço fiscal aos governos e atuando de forma direta como plataforma de desenvolvimento. O documento, no entanto, ressaltou que a dependência dos recursos naturais também pode configurar um obstáculo ao desenvolvimento, especialmente, se os países da região não souberem administrar essa bonança. A riqueza natural, avaliou Francisco Ferreira, economista-chefe adjunto do Banco Mundial para a América Latina, deve se converter em outras formas de capital, seja humano, físico ou financeiro. Ferreira disse que o aumento na poupança de longo prazo por meio da exploração de recursos naturais servirá para proteger o país de futuras crises. Além disso, ressaltou que o uso desses recursos para investimentos em educação e na indústria terá a missão reduzir a dependência brasileira, e dos demais países da região, das exportações de commodities, que sofrem com as oscilações de preços. "O Brasil já está pensando em um fundo social com recursos do pré-sal. Isso é bom, mas sua utilização precisa ser melhor definida", observou Mauro Boianowsky, do departamento de economia da Universidade de Brasília (UNB). Ferreira lembrou que o uso do dinheiro do pré-sal para investimento em educação, como defende o governo federal, é positivo, mas pode se reverter em uma valorização cambial, com impacto na redução da oferta de empregos. Por isso, ele defende que uma parte dos recursos siga para uma poupança em moeda estrangeira. O estudo, produzido pelos economistas Augusto de la Torre, Emily Sinnott e John Nash, enfatiza que o Brasil tem sido um exemplo na exploração de recursos naturais na medida em que conta com uma pauta diversificada de commodities para exportação ao longo das últimas décadas. John Nash recordou que nos anos 60, o café respondia por 53% do total das vendas externas, sendo o principal item da carteira. Já no ano de 2006, a principal matéria-prima exportada era o minério de ferro, com 7% de todo o volume comercializado com o exterior. A Venezuela, afirmou Nash, seguiu o caminho oposto ao ampliar sua dependência do petróleo. Em 1962, o produto representava 67% das receitas exportadas ao passo que, em 2006, o percentual estava em 92%. Ou seja, houve um aumento na concentração. (Fernando Taquari | Valor)
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