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13/09/2010 - 12h05

Dólar continua em queda, saindo a R$ 1,717 na venda

SÃO PAULO - Os vendedores seguem ditando o rumo para o preço do dólar no mercado de câmbio interno. Por volta das 12h, o dólar comercial cedia 0,17%, cotado a R$ 1,715 na compra e a R$ 1,717 na venda. Se não houver mudança de direção, este será o nono pregão consecutivo de queda no preço da moeda americana.

No mercado futuro, o contrato de outubro negociado na BM&F cedia 0,40%, a R$ 1,722.

O cenário externo desta segunda-feira reforça o viés de queda do dólar. Os dados divulgados na China surpreenderam positivamente o mercado e reduziram o temor de um double dip (duplo mergulho recessivo na economia). É importante lembrar que parte dos economistas esperava uma desaceleração da economia chinesa no segundo semestre. Em Wall Street, os investidores repercutem os dados chineses e, há pouco, os índices Dow Jones e S&P 500 subiam 0,8% e 1,1%, respectivamente. Por aqui, o Ibovespa tinha valorização de 1,4%. As commodities também tinham valorização. Minutos atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, registrava alta de mais de 1%. Um novo fator que pode acarretar a valorização do real ante o dólar é a conclusão do chamado Acordo de Basileia 3, que ocorreu ontem, após uma maratona de negociações em Basileia (Suíça) entre os presidentes de 29 bancos centrais e autoridades supervisoras.

Agora, os bancos vão ter de mais do que triplicar, de 2% para 7%, o índice de capital de alta qualidade em relação aos ativos, com o objetivo de evitar novos colapsos financeiros que podem afetar a economia. Além disso, foi definido o percentual do segundo colchão de capital, o contracíclico, que vai variar de 0% a 2,5% e será implementado de acordo com as circunstâncias de cada país. Essas medidas serão completadas pelo padrão de alavancagem máxima a ser aplicado sobre os bancos globalmente. O índice será em princípio de 3%. Desta maneira, uma instituição com 3 de capital, só terá até 100 de ativos, uma limitação que não está relacionada a riscos. O banco terá sempre que estar nesse patamar. O sócio da Beta Advisors, André Cleto, avalia que o Acordo de Basileia 3 tornará mais seguro para o investidor aplicar em mercados emergentes, como o Brasil, por isso pode resultar em mais ingresso de recursos externos no país. "O acordo torna o risco sistêmico menor, de forma que os agentes do mercado se sentirão mais tranquilos ao aplicar em mercados que oferecem mais risco", explica, ao lembrar que o Brasil já atrai naturalmente o investidor estrangeiro, por conta dos juros altos que oferece. O mercado segue atento à interferência do Banco Central no câmbio. Nas últimas sessões, a autoridade monetária realizou dois leilões de compra no mercado à vista, no mesmo dia. Para o sócio da Beta Advisors, a queda do dólar, até o momento, somente não é mais acentuada porque existe uma "forte barreira psicológica no patamar de R$ 1,70". Assim, quando o preço do dólar se aproxima desse patamar, aparecem compradores. "Quem tem posição vendida aproveita para comprar um pouco, para reduzir um pouco sua exposição", diz. "O Banco Central já deu sinais de que não quer deixar o dólar ultrapassar R$ 1,70, então o mercado enxergou nesse patamar um piso". No mercado de câmbio externo, o euro subia mais de 1% ante o dólar, instantes atrás, cotado a US$ 1,2847. De maneira geral, quando a economia chinesa dá sinais de que está bem, o euro sobe. Mas essa alta também está relacionada à conclusão do Acordo de Basileia 3. (Karin Sato | Valor)
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