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14/09/2010 - 18h15

Blue chips pesam e Ibovespa tem 1ª queda em quatro pregões

SÃO PAULO - Em um dia de instabilidade para os mercados mundiais e elevado volume financeiro no Brasil, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu os 68 mil pontos, na primeira queda em quatro pregões.

O Ibovespa recuou 0,50%, aos 67.691 pontos. O giro financeiro atingiu montante expressivo de R$ 8,208 bilhões. Em Wall Street, após quatro altas consecutivas, o índice Dow Jones teve queda de 0,17% e o S&P 500 caiu 0,07%, para 1.121,10 pontos. Já o Nasdaq registrou valorização de 0,18%.

Do lado da agenda econômica, as notícias da Europa não foram positivas, já que a produção industrial da região ficou estagnada entre junho e julho e a confiança do consumidor alemão despencou em setembro.

Apesar disso, as bolsas americanas chegaram a operar em alta, diante do crescimento das vendas varejistas do país em agosto, que foi um pouco maior que o esperado.

Os dados divulgados, entretanto, pouco influenciaram os negócios no Brasil. Embora o Ibovespa tenha até ensaiado uma recuperação no pregão, a pressão exercida pelas "blue chips" determinou o rumo do índice.

Com o maior giro do dia, as ações PNA da Vale movimentaram R$ 1,781 bilhão, e recuaram 0,65%, a R$ 42,26. O total foi "inflado" por operações diretas feitas pela Itaú Corretora e pelo Credit Suisse.

Além disso, as ações PN da Petrobras despencaram 5,12%, a R$ 26,85, com volume negociado de R$ 1,08 bilhão, enquanto os papéis ON cederam 4,80%, a R$ 30,14, com giro equivalente a R$ 178,2 milhões.

As interpretações sobre o movimento dos papéis da Petrobras são diversas e apenas ilustram as incertezas que rondam os operadores durante o processo de capitalização da estatal.

Há quem diga que a forte baixa de hoje foi apenas uma correção da alta de ontem, e há os que afirmam que o recuo das ações já reflete a pressão para a definição do preço da oferta da empresa. Além disso, há analistas que ressaltam que a demanda do investidor para fazer a reserva de ações para a oferta está pouco aquecida e que está sendo deixada para o último momento.

O fato é que o movimento atípico do papel surpreende, tendo em vista que os interessados na oferta prioritária da Petrobras tinham até esta terça para comprar o papel, já que a segunda conferência de posição será feita na próxima sexta-feira. Como a liquidação é de "D+3", o papel precisava ser adquirido até hoje para estar sob custódia no dia 17. Na avaliação de um operador de mercado, até o fim do processo de capitalização da Petrobras, o preço do papel deve passar por uma "montanha-russa". "Além disso, vemos um grande descaso por parte dos investidores para todos os outros setores, porque todos os olhos do mundo estão voltados para esse processo. O mercado está praticamente jogado às traças", comentou.

De volta ao Ibovespa, ainda figuraram entre as maiores baixas do dia as ações PNA da Usiminas (-1,79%, a R$ 44,20), as units do Santander (-1,8%, a R$ 21,72) e os papéis ON da LLX Logística, que despencaram 7,92%, a R$ 9,3.

Os investidores continuaram a reagir ao anúncio feito ontem pela MMX, que pretende comprar 100% do Superporto Sudeste da LLX Logística, abrigado na LLX Sudeste.

O valor a ser pago deve atingir cerca de US$ 2,3 bilhões. Será feita uma cisão parcial dos ativos da LLX com a MMX incorporando a LLX Sudeste, que passará a se chamar PortX.

Na direção oposta, as principais altas do Ibovespa neste pregão partiram das ações ON da Brasil Ecodiesel (4,39%, a R$ 0,95), Souza Cruz ON (3,28%, a R$ 87,79), e Gol PN (3,03%, a R$ 25,43).

Além disso, as ações ON da MMX subiram 1,21%, a R$ 13,3, e, entre os maiores volumes do dia, os papéis PN do Itaú Unibanco avançaram 1,42%, a R$ 39,05, e movimentaram R$ 233,9 milhões.

(Beatriz Cutait | Valor)
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