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14/09/2010 - 12h03

Dólar segue abaixo de R$ 1,71 e mercado está atento à atuação do BC

SÃO PAULO - O dólar segue em queda, mesmo após o Banco Central realizar um leilão de compra no mercado à vista. A taxa aceita ficou em R$ 1,7104. Fica agora a expectativa de um segundo leilão na parte da tarde. Por volta das 12h, o dólar comercial recuava 0,52%, cotado a R$ 1,705 na compra e a R$ 1,707 na venda. No mercado futuro, o contrato de outubro negociado na BM&F tinha queda de 0,34%, a R$ 1,711. O diretor de câmbio da Renova Corretora de Câmbio, Carlos Alberto Abdala, afirma que a especulação em torno da intervenção do BC no mercado futuro, por meio do leilão de swap cambial reverso, não passa de uma ameaça. Ele reconhece que essa possibilidade existe, mas opina que o governo não faria uma operação dessas tão perto da capitalização da Petrobras, ainda que o preço do dólar caia abaixo de R$ 1,70. "O BC vai esperar passar a capitalização da Petrobras para ver se essa queda do dólar não é direcionada", avalia, ao lembrar que, em julho, a autoridade monetária teve a oportunidade de realizar a operação de swap cambial reverso, porém não o fez e preferiu ficar à mercê do noticiário externo. "Em alguns dias, o preço do dólar realmente subiu, com notícias negativas divulgadas nos Estados Unidos", lembra. No leilão de swap cambial reverso, as instituições financeiras compram contratos e recebem uma taxa de juros, enquanto o BC ganha a variação cambial no período dos contratos. Para Abdala, o governo teria de pagar uma conta muito alta, se fizesse a operação. "O investidor só mudaria de lado se fosse muito vantajoso para ele, se o BC oferecesse um swap muito interessante", explica. "Além disso, com essa intervenção, a autoridade monetária faria o que o mercado quer e ajudaria especuladores".

Seja como for, o diretor de câmbio avalia que a operação não seria feita de forma repentina. "O swap cambial reverso não pega ninguém de surpresa, ele é combinado antes". O diretor de câmbio avalia que há grande chance de o governo limitar a posição vendida dos bancos em relação ao seu patrimônio, o que rapidamente elevaria o preço do dólar, porque as instituições com posição vendida seriam obrigadas a comprar a moeda. "É um período eleitoral. Os exportadores estão sendo prejudicados e o governo está sendo cobrado". Existem ainda outras possibilidades, em sua opinião. "O Tesouro pode antecipar pagamentos ou o Banco do Brasil pode ser acionado para enxugar dólares, por exemplo", diz. Além disso, o governo pode já estar comprando dólares por meio do Fundo Soberano. Hoje, as commodities estão em alta. Há pouco, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, subia 0,68%. No mercado de câmbio externo, o euro tinha valorização de 0,67% ante o dólar, minutos atrás, cotado a US$ 1,2955. (Karin Sato | Valor)
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