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14/09/2010 - 18h43

Petrobras pode antecipar refinarias para ter autossuficiência em 2014

RIO - A Petrobras poderá antecipar a entrada em produção de algumas refinarias para tentar garantir que a autossuficiência de derivados de petróleo seja atingida em 2014. A expectativa atual, que projeta o fim da importação de derivados dentro de cerca de três anos, leva em consideração um crescimento médio do produto interno bruto (PIB) de 3,4%.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, admitiu que a projeção de demanda do mercado interno é conservadora, já que a previsão oficial do governo para este ano é de um PIB acima dos 7%. "Eu, particularmente, acho que o PIB tende a crescer mais, em média. Mas acho muito difícil que a autossuficiência não aconteça. É só eu antecipar as refinarias", disse, durante o evento Rio Oil & Gas.

Uma das possibilidades seria antecipar a segunda refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A primeira fase está prevista para entrar em operação em 2014 e a segunda refinaria, em 2018. "Se o mercado se realizar antes, quem sabe posso antecipar. Mas não estou falando que vai acontecer", frisou o diretor. A autossuficiência em derivados leva em conta a entrada em operação das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e do Comperj, que devem operar plenamente em 2014. "Aí o Brasil vai se tornar autossuficiente em derivados, que hoje não é, mas será. O Brasil é autossuficiente apenas em produção de petróleo", disse Costa.

A capacidade de refino da Petrobras, atualmente em 2 milhões de barris por dia, deverá ser de 2,4 milhões em 2014. Isso quer dizer que a Petrobras trabalha com uma estimativa de crescimento de 20% da produção de derivados, enquanto, com a estimativa conservadora do PIB, trabalha com crescimento acumulado de 14,3% da economia de 2010 a 2014. Com os 7% estimados para 2010, o avanço do PIB já chegaria a 18,28% no acumulado, quase alcançando o aumento de oferta de derivados, e isso, considerando-se um crescimento de 3,4% do PIB para os próximos anos. Atualmente, a importação de derivados da Petrobras é de 120 mil barris por dia, em média, sendo principalmente de GLP, diesel e querosene de aviação. Já a exportação da Petrobras é de 80 mil barris por dia, alavancada por gás e óleo combustível. No primeiro semestre do ano, o consumo de derivados no país cresceu 12%. A expectativa do diretor da estatal é de que deverá ser recorde na segunda metade do ano. "Desde 2000 para cá, a cada ano, tivemos aumento de capacidade de produção de derivados em torno de 2%. Apenas no ano passado houve queda, devido À crise internacional", disse. A expectativa é de que haja, nos próximos meses, aumento de consumo de óleo diesel devido à elevação da produção agrícola. O querosene de aviação (QAV) também deve ter seu consumo elevado, com maior movimentação nos aeroportos nacionais. No entanto, o diretor praticamente descartou a possibilidade de importar gasolina, como aconteceu no primeiro semestre.

"Alguns estados estão com preços mais favoráveis à gasolina, então significa que tem um aumento de gasolina. Mas não se trata de importar gasolina. Isso pode mudar, se os produtores de álcool mudarem o preço", disse Costa. Ele lembrou que em agosto a Petrobras voltou a exportar gasolina. "Agora deu um aumento de preços do álcool, então possivelmente a gente vai ter que trabalhar um pouco na verificação da gasolina, mas com a produção interna", explicou.

A Petrobras teve este ano uma parada programada de grande porte na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Agora, toda a refinaria já voltou a operar normalmente. Isso afetou a produção. Mas a Refinaria de Paulínia (Replan) teve sua capacidade de produção elevada em 33 mil barris por dia. Atualmente, a Refap, no Rio Grande do Sul, está parcialmente parada e, assim que voltar a funcionar, em outubro, a refinaria de Cubatão deverá ter também uma parada de produção.

Apesar da importação de gasolina, a balança comercial de derivados de petróleo da Petrobras no primeiro semestre foi positiva em volume e em valores e a expectativa de Paulo Roberto Costa é de que feche também positiva no acumulado do ano, mesmo com as paradas de produção e com o aumento de demanda esperado. No ano passado, a balança foi positiva em US$ 2,8 bilhões e 107 mil barris.

(Juliana Ennes | Valor)
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