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06/02/2012 - 16h23

Tentações a caminho

SÃO PAULO - Se o aperto de gastos tem sido um assunto recorrente em alguns países, o tema não se aplica ao mercado de automóveis premium no Brasil. O ano de 2012 começa com uma agenda recheada de lançamentos, apesar do recente aumento do IPI para os carros importados. Um sinal claro de que as marcas que trazem modelos esportivos ou de luxo parecem não acreditar que o aumento compulsório de preços vá refrear o ânimo dos consumidores, pelo menos nas categorias de maior prestígio do mercado.

Da linha esportiva DS, da francesa Citroën, aos megaluxuosos modelos da britânica Rolls-Royce, a lista de carros de uso mais exclusivo agendada para chegar ao país neste ano é bem extensa. Isso mostra que o país é um dos alvos preferenciais das principais montadoras, ao lado de outros mercados em expansão, como China e Índia.

A Rolls-Royce anunciou sua chegada ao mercado brasileiro para este ano. A empresa, controlada pela alemã BMW desde 1998, nomeou como sua representante no Brasil a Via Italia, importadora oficial das marcas italianas Ferrari, Maserati e Lamborghini. Uma loja exclusiva será inaugurada em março na região dos Jardins, em São Paulo.

O presidente mundial da marca, Torsten Müller-Ötvos, veio à capital paulista no fim do ano passado para o anúncio e exibiu pela primeira vez no país o Ghost, sedã mais "acessível" da Rolls-Royce, lançado em 2010. Por aqui, ele custará de R$ 2 milhões a R$ 2,2 milhões, segundo Francisco Longo, diretor da Via Italia.

O outro modelo, o Phantom, poderá ser encomendado em suas três versões, uma delas conversível, com preços ainda mais astronômicos. A empresa prevê vender de 10 a 15 unidades por ano no Brasil. Os carros da Rolls-Royce são feitos de forma artesanal em Goodwood, Inglaterra. Cada modelo leva 450 horas para ser finalizado, com 30 pessoas encarregadas de zelar pela sua qualidade, segundo Müller-Ötvos. Além disso, os sedãs de alto luxo são personalizados para cada proprietário.

Para quem prefere a esportividade ao luxo, a pedida mais empolgante é a nova Ferrari 458 Spider, que chega no primeiro semestre. A versão conversível do cupê 458 Italia não é um mero esportivo com a capota cortada. Para começar, o teto retrátil agora é rígido, feito de alumínio, o que faz a antecessora 430 Spider parecer uma peça de museu com sua capota de lona. A solução reduziu o peso em 25 kg e permite recolhimento mais ágil, em meros 14 segundos.

O motor que se esconde sob os belos domos atrás dos encostos de cabeça é um 4.5 V8 de 570 cv, acoplado a um câmbio automatizado de dupla embreagem. Diz a marca que a aceleração de 0 a 100 km/h do cupê foi preservada (3,4 segundos), mas que teve de sacrificar 5 km/h da velocidade máxima - ela chega "apenas" a 320 km/h...

Fugindo do topo da lista de prestígio (e preço), haverá uma série de opções interessantes. O quarteto alemão Porsche, Mercedes, BMW e Audi promete uma enxurrada de novidades para 2012. Começando com a mais exclusiva delas, a Porsche, a grande pedida é a nova geração do 911, completamente renovada - algo que não ocorria há 15 anos.

Olhando o 911, ninguém nota a diferença. A Porsche não cometeria a imprudência de alterar muito as linhas do clássico modelo de 1963, mas, estruturalmente, a mudança foi radical, incluindo aumento de 10 cm no entre-eixos e 5 cm no comprimento, além de teto mais baixo. O interior ficou mais espaçoso e os retrovisores brotam direto das portas, não mais do triângulo à frente delas.

O motor boxer de seis cilindros contrapostos tem duas opções: 3.4 de 350 cv na versão mais "mansa" e 3.8 de 400 cv no Carrera S. O câmbio é de sete marchas nas versões manual e automática (de dupla embreagem). As vendas começam na metade do ano, mas as encomendas já podem ser feitas. A versão conversível, que acaba de ser exibida no Salão de Detroit (EUA), só chegará aqui em outubro, mas a tempo de brilhar no Salão do Automóvel de São Paulo, no Anhembi.

Na BMW, o grande chamariz é a nova geração do sedã compacto Série 3. O modelo 328i chega em maio, por R$ 198 mil na versão Sport e R$ 223 mil na Luxury. O modelo 335i vai custar R$ 341 mil. O modelo mais acessível, o 320i, está previsto para o segundo semestre, assim como a versão esportiva M3, que chega apenas para o Salão do Automóvel. Também do grupo BMW virá o inglês Mini Roadster, versão conversível do novo Mini Coupé, que acaba de ser exibida em Detroit.

A Audi terá um lançamento por mês neste primeiro semestre, com destaque para o crossover compacto Q3, rival do BMW X1. Ele tem regalias como internet sem fio e GPS atualizado pelo Google Earth. Para quem prefere um sedã de alto desempenho, a opção é o S6, versão apimentada do novo A6. Se na geração anterior ele trazia o consagrado V10 do Lamborghini Gallardo, agora aderiu à onda do "downsizing" de motores, sem perder desempenho. A Audi garante que ele consome e polui 25% menos que o anterior. O S6 traz novidades como sistema de cancelamento ativo de ruídos, que emite pelos alto-falantes um som capaz de amenizar o barulho do motor. Ou ainda faróis que regulam conforme as coordenadas do GPS, antecipando curvas. O cardápio da Audi inclui também o A1 Sport, a perua A6 Avant e o cupê TT RS.

No caso da Mercedes, a maior aposta será um monovolume. O novo Classe B promete ser opção na faixa de R$ 100 mil para quem quer levar a família. Já quem prefere se aventurar em terrenos mais acidentados, deve esperar pela nova geração do jipão de luxo ML, que chegará no meio do ano.

Sem o mesmo glamour das outras marcas alemãs, a Volkswagen aposta em um mito. Lembra-se do New Beetle? Pois agora ele perdeu o "New" do nome, embora tenha ficado ainda mais novo. Se o desafio era remodelar o carro sem perder a identidade, a solução foi torná-lo ainda mais parecido com o Fusca original. Além disso, ele cresceu e ficou mais esportivo, com opção de motor 2.0 turbo de 200 cv e câmbio DSG de dupla embreagem (automático de seis marchas). O lançamento ocorrerá na metade do ano, com importações via México - livres de imposto de importação e de IPI mais alto.

Na seara dos modelos mexicanos, o Ford Fusion, sedã grande mais vendido no Brasil, acaba de ser mostrado em Detroit com visual e conjunto mecânico totalmente renovados. Sobre seu aspecto mais jovial, o chefão do design da Ford, J. Mays, disse que um sedã premium não precisa "gritar", mas oferecer um estilo duradouro, que não atraia compradores apenas no lançamento. O Fusion será o primeiro Ford no Brasil a adotar o moderno motor 2.0 Ecoboost, que vai aposentar o velho V6, graças ao uso associado de turbo e injeção direta de gasolina. Essa versão será a mais cara da linha. Quem quiser o modelo na faixa de R$ 90 mil terá à disposição o conhecido motor 2.5, mas agora com tecnologia flex. As primeiras unidades chegam no começo do segundo semestre.

Do México também desembarcará a nova geração do crossover Honda CR-V, derivada do novo Civic. Outra tacada da Honda, mais para o fim do ano, será o novo sedã de luxo Accord, mostrado como protótipo no Salão de Detroit. Só que esse virá do Japão, com preço mais salgado que o CR-V. O mesmo vale para a quinta geração do crossover Nissan Pathfinder, que ficou menos jipe e mais perua familiar, com espaço para sete pessoas.

Entre os carros coreanos, as opções mais luxuosas chegarão no começo do segundo semestre, ambas da Hyundai: o sedã grande Genesis e o sedã de alto luxo Equus, com a promessa de oferecerem o melhor custo-benefício em suas categorias.

Por fim, em uma escala decrescente de preço, o menu de lançamentos para 2012 termina com a linha de esportivos DS, da Citroën. A marca francesa criará uma área específica em algumas concessionárias apenas para vender os carros dessa divisão, ainda no primeiro semestre. E serão três modelos de uma só vez: o DS3, o DS4 e o DS5, todos hatches, um compacto, um médio e um grande. Eles derivam das versões renovadas do C3, C4 e C5, que ainda não estão à venda no Brasil.

Não foram mencionados preços, mas a marca afirma que o DS3 virá para brigar com o Mini Cooper, que custa a partir de R$ 80 mil. (Glauco Lucena/Valor Econômico)

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