SÃO PAULO - As ações da Cosan lideram as baixas do Ibovespa, enquanto os papéis da ALL comandam as altas.
As duas cotações reagem ao anúncio feito hoje pelas companhias de que a Cosan comprará 38,980 milhões de ações da ALL, das quais 34 milhões vinculadas ao acordo de acionistas, por R$ 896,542 milhões. Por esses valores, a Cosan está pagando R$ 23,00 por ação da ALL, mais do que o dobro da cotação de sexta-feira da empresa de logística na bolsa, que era de R$ 11,03.
Há pouco, ALL ON subia 3,54%, para R$ 11,42; e Cosan ON recuava 5,26%, para R$ 29,37.
A justificativa para o preço pago, acima do mercado, se deve ao fato de os papéis estarem vinculados ao bloco de controle da ALL. Ano passado, por exemplo, a ítalo-argentina Ternium , do grupo Techint, pagou prêmio de 83% para entrar no bloco de controle da Usiminas.
A Cosan quer se desvincular cada vez mais de ser uma empresa voltada para commodities agrícolas para focar seus negócios em infraestrutura. A empresa já tinha parceria fechada com a ALL, por meio da Rumo, empresa de logística criada em 2008 pelo grupo.
Com a compra da participação na ALL, a Cosan pretende investir no longo prazo em logística, sobretudo nos modais ferroviário e rodoviário. "É um sinal de que a empresa está se transformando", afirmou Marcos Lutz, presidente do grupo.
Em 2010, a empresa firmou joint venture com a Shell, para a criação da Raízen, tornando-se a maior distribuidora de combustíveis do país.
No mercado, alguns analistas também comentam que existe uma avaliação de que o dinheiro que Cosan gera não tem retornado ao acionista, uma vez que o controlador utiliza os recursos em aquisições.
(Mônica Scaramuzzo e Ana Paula Ragazzi | Valor)