O grupo Camargo Corrêa formalizou uma proposta de troca de ativos da cimenteira portuguesa Cimpor, da qual é dona de 33% do capital, pela participação de 21,1% da Votorantim Cimentos na companhia. A informação consta da complementação da oferta púlica de aquisição (OPA) de ações do grupio e que foi entregue à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) neste fim de semana.
Segundo o documento, a Camargo propõe entregar à Votorantim em troca de suas ações as unidades industrias de cimento e concreto da Cimpor na China, Espanha (com exceção da Cimpor Inversiones e da Cimpor Sagesta), Índia, Marrocos, Tunísia, Turquia e Peru.
A operação teria duas etapas. Na primeira, a Camargo entrega e incorpora na Cimpor todos os ativos da sua controlada InterCement, os quais estão localizados no Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Angola. Em contrapartida, recebe os ativos mencionados acima que seriam passados a seguir à Votorantim Cimentos.
A operação faz parte do plano da Camargo em assumir o controle da Cimpor. Em 30 de março, por meio da InterCement, a companhia lançou a OPA pelas as ações restantes da empresa portuguesa.
O valor da oferta foi de 5,5 euros a ação, totalizando 2,48 bilhões de euros para assumir o restante das ações em poder dos demais acionistas. A Caixa Geral de Depósitos, com 9,6%, e o fundo de pensão do banco BCP, com 10%, aderiram à OPA.
Conforme o documento, a Votorantim não aderiu à OPA para vender suas ações. O empresário Manuel Fino, dono de 10,7%, também não se pronunciou até o momento. O restante dos papéis (pouco mais de 15%) está pulverizado no mercado e em bolsa.
Se houver sucesso na proposta da Camargo, a Cimpor manteria os ativos de Portugal, Brasil, África do Sul, Moçambique, Egito e Cabo Verde. E ainda adicionaria os ativos recebidos da Intercement no Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Angola.
Para José Édison Barros Franco, presidente do conselho da Intercement, a Cimpor sairá reforçada com a integração dos ativos InterCement na América do Sul, além de aumentar sua presença na África. "Será mais forte e competitiva, continuando a ser uma empresa portuguesa internacionalizada".
O grupo brasileiro, no novo prospecto da OPA enviado à CMVM, garante manter a sede e o centro de decisão da cimenteira em Portugal, bem como a marca Cimpor.
Hoje, no todo, a Cimpor tem capacidade instalada de produção de 36,5 milhões de toneladas de cimento por ano. Em 2011, a empresa fabricou e vendeu 27,5 milhões de toneladas, com receita de quase 2,3 bilhões de euros. No ano passado, a InterCement, com 16 fábricas, produziu e vendeu 12,6 milhões de toneladas, com receita líquida de R$ 2,9 bilhões.
(Ivo Ribeiro | Valor)