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06/05/2012 - 15h31

TV francesa dá vitória a Hollande; Sarkozy reconhece derrota

O socialista François Hollande foi eleito presidente da França hoje. A televisão francesa estima que ele obteve 51,9% dos votos contra o candidato de direita e atual presidente Nicolas Sarkozy. Não houve muita surpresa, porque desde cedo as pesquisas de boca urna confirmavam a vitória de Hollande.

Ainda hoje, quando a vitória oficial for anunciada, Francois Hollande falará sobre uma "França reconciliada". Também insistirá na saída da austeridade econômica na Europa, para reorientar a zona do euro à retomada do crescimento.

Há pouco, Nicolas Sarkozy disse a seus ministros que ele é o único responsável pela derrota e pediu para a direita permanecer unida, porque em junho haverá eleição legislativa. A decepção para a direita é ainda maior, porque Sarkozy tinha previsto uma "vaga" de reação da "França silenciosa", o que evidentemente não ocorreu. Falando a alguns eleitores, o presidente francês também reconheceu a derrota no pleito de hoje.

A expectativa é enorme na Europa, porque a vitória de Hollande pode começar a mudar a relação de forças a favor de mais crescimento em vez de austeridade.

Para cada vez mais autoridades na Europa, austeridade sozinha não pode resolver os problemas da zona euro. Mas para alguns analistas, há várias razões para ser cuidadoso sobre as implicações do empossamento do novo presidente.

Primeiro, enquanto seus planos fiscais são menos onerosos do que os de Sarkozy, eles não são exatamente pró-crescimento econômico de maneira rápida. Hollande diz querer reduzir o déficit do orçamento de 4,5% do PIB este ano para 3% no ano que vem e zerá-lo até 2017. Para analistas, isso significa endurecimento veloz das contas públicas, de acordo com padrões internacionais, e resultaria na maior redução de déficit na história da França. Na verdade, o país nao conseguiu equilibrar suas contas nos últimos 30 anos.

A divida pública é próxima de 90% do PIB e aumentou em 600 bilhoes de euros durante os cinco anos do governo de Sarkozy. Além disso, certos analistas notam que o provável futuro presidente nao detalhou planos de crescimento de longo prazo. Hollande prometeu criar 60 mil empregos na educação e 150 mil para jovens. O sucessor de Sarkozy também promete voltar a idade da aposentadoria de 62 para 60 anos em casos específicos. Seus planos são de economizar 100 bilhoes de euros em cinco anos de mandato, através do aumento de impostos para grandes empresas, bancos e os mais ricos e corte de gastos.

Em terceiro lugar persiste a dúvida de que o próximo presidente da França consiga ter mais influência sobre a Alemanha. Hollande insiste que Berlim não pode continuar a impor suas condições para o resto da Europa. Com sua eleição, ele promete abrir o pacto fiscal europeu que obriga os governos a um rígido controle fiscal, como forma de garantir crescimento econômico.

No entanto, a chanceler alemã Angela Merkel, que publicamente mostrou simpatia por Nicolas Sarkozy, insiste que o pacto fiscal nao é renegociável.

(Assis Moreira | Valor)

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