O lançamento do A380 é marcado não apenas por atrasos, imprevistos e disputas na OMC (Organização Mundial do Comércio) com a concorrente Boeing. O maior avião do mundo também foi pivô de um escândalo de suposto vazamento de informações que teria beneficiado cerca de 20 dirigentes e acionistas da EADS, empresa que controla a Airbus, fabricante do A380.
Em julho de 2006, o co-presidente-executivo da EADS, Noel Forgeard, e o presidente da Airbus, Gustav Humbert, renunciaram ao cargo, pressionados por acionistas. Eles se responsabilizaram pelo atraso que ocorreria na entrega do A380. Mas, no caso de Forgeard, pesou ainda a suspeita de venda de ações em março do ano passado, três meses antes de a empresa anunciar oficialmente que haveria atrasos.
 Gustav Humbert (esq) e Noel Forgeard |
Forgeard
vendeu ações em março, um mês antes de a Airbus iniciar uma investigação interna sobre os problemas que viriam a provocar atraso na produção. Ele vendeu US$ 5,2 milhões em ações; o preço dos papéis caiu logo depois do anúncio dos problemas envolvendo a produção do A380, contribuindo para que o então co-presidente-executivo da EADS tivesse um lucro de cerca de US$ 2,5 milhões.
Na ocasião, o executivo garantiu que, quando vendeu as ações,
ainda não sabia do atraso que seria anunciado pela Airbus.
Contando com Forgeard, 20 acionistas e dirigentes da EADS estão sob suspeita de uso de informação privilegiada, por terem vendido parte de suas ações e evitarem perdas de até 26% com a desvalorização dos papéis ocorrida depois de 13 de junho, com o anúncio oficial sobre o atraso, segundo o jornal francês "Le Figaro".
Nenhum acusadoNa última segunda-feira (22), o candidato à presidência do consórcio EADS, Rüdiger Grube, afirmou que, até agora, "
ninguém foi acusado [formalmente]" e que "as autoridades financeiras de França e Alemanha ainda não apresentaram seus relatórios". Disse, ainda, que a "EADS está convencida de que sua informação financeira cumpriu todas as regras".
Estão sendo investigados o atual presidente da Airbus, Tom Enders, o diretor-geral, Fabrice Brégier, e o atual co-presidente, Arnaud Lagardère, além de Noel Forgeard,
(Com informações de France Presse, EFE e Reuters)