As empresas de aviação Gol e TAM podem perder espaço no mercado internacional depois do A380, segundo análise de Érico Santana, conselheiro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA).
"Com o custo da operação por passageiro sendo menor nos A380, é óbvio que as outras empresas poderão fazer um melhor gerenciamento de receitas no momento de vendas dos seus bilhetes", diz o especialista.
O A380, fabricado pela empresa européia Airbus, é o maior avião de passageiros do mundo. Nesta quinta-feira, foi realizado seu primeiro vôo comercial, entre Cingapura e Sydney, Austrália (
leia o especial sobre a aeronave).
Já no caso da fabricante brasileira de aviões Embraer, que trabalha com aeronaves de menor porte, a tendência é melhorar os negócios, segundo Santana.
"Minha visão particular é de que a Embraer ganha com a maior utilização dos A380."
O novo avião tem um custo de exploração por passageiro de 15% a 20% menor que o do B747, da Boeing. Com isso, parte do tráfego de longa distância tenderia a ser absorvido pela aeronave gigante. Paralelamente, "há indícios de que o mercado da aviação regional e aviação executiva cresceria mais ainda", afirma o conselheiro da SBTA.
Brasil ficaria atrásA perda de espaco ocorrerá pela concorrência das estrangeiras caso as nacionais nao criem alternativas para competir. O A380 não deve começar a operar no Brasil
antes de 2010.
As aeronaves gigantes tendem a provocar maiores atrasos em regiões já congestionadas, exigindo adaptações de infra-estrutura, na avaliação de Santana.
"Imagine que, para o A380 operar no Brasil, certamente ele paralisaria boa parte das operações de um grande aeroporto provavelmente no horário mais utilizado, gerando atrasos", afirma o especialista.