O presidente norte-americano, George W. Bush, propôs nesta sexta-feira um pacote de US$ 140 bilhões a US$ 150 bilhões para tentar evitar recessão na economia americana. As medidas, que precisam ser aprovadas pelo Congresso dos EUA, prevêem cortes de impostos para os consumidores e incentivos fiscais para os negócios.
Bush afirmou que há risco de recessão no país. O pacote de estímulo econômico equivale a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
| ENTENDA A CRISE NOS EUA |
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 Operadores financeiros em SP |
| Financeiras americanas emprestaram dinheiro a clientes de risco. Esse financiamento é chamado de "subprime" |
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| Os clientes davam como garantia suas casas, mas o mercado imobiliário entrou em crise em meados do ano passado, e os preços dos imóveis caíram, reduzindo as garantias dos empréstimos |
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| Com medo, os bancos dificultaram novos empréstimos. Isso fez cair o número de compradores de imóveis, agravando ainda mais a crise no setor |
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| O problema pode afetar o nível de emprego e o consumo, causando uma recessão geral na economia dos EUA |
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| Bancos anunciaram prejuízos bilionários, como o Citigroup e o Merril Lynch, que perderam quase US$ 10 bi cada um no 4º trimestre |
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| Como os EUA estão entre os maiores consumidores do mercado global, todo o mundo é afetado. Países que exportam para lá, como o Brasil, podem vender menos |
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| As Bolsas mundiais, incluindo a brasileira, sentiram o baque e tiveram perdas. Isso prejudica os investidores no mundo todo |
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Segundo Bush, é preciso tomar medidas para estimular a enfraquecida economia dos Estados Unidos, que enfrenta o risco de uma recessão.
"Nossa economia tem uma base sólida, mas há areas de preocupação real", declarou Bush. "Meus conselheiros e muitos especialistas de fora esperam que nossa economia continue a crescer neste ano, mas a uma taxa menor do que vivemos nos últimos anos. E há o risco de uma recessão."
"Esse pacote de crescimento precisa ser construído sobre um alívio tributário amplo que influencie diretamente a expansão da economia, e não sobre projetos envolvendo gastos, que teriam pequeno impacto imediato sobre nossa economia", disse Bush a repórteres na Casa Branca.
"O pacote precisa ser temporário e rapidamente efetivo, para que possamos ajudar nossa economia quando ela mais precisa", acrescentou.
Em meio a relatórios sombrios sobre as vendas do varejo e com outros números sugerindo a possibilidade de uma recessão, Bush e o Congresso de maioria democrata negociam para tentar chegar a um consenso em torno de um plano para estimular o crescimento.
Algumas medidas consideradas são o abatimento de impostos, incentivos às empresas e ampliação do seguro-desemprego.
Os dois lados ainda estão sensíveis às duras batalhas do ano anterior sobre o orçamento, a assistência médica e a guerra do Iraque. Mas há um consenso de que a economia, atingida por crises nos setores imobiliários e de crédito e pela alta do petróleo, precisa ser socorrida.
O debate sobre um pacote de ajuda chegou à campanha presidencial, com eleições marcadas para 4 de novembro.
Todos os três principais candidatos democratas -senadora Hillary Clinton, senador Barack Obama e ex-senador John Edwards- apresentaram planos baseados em aumento dos gastos e corte de impostos.
O senador republicano John McCain expôs uma proposta de redução dos impostos corporativos e de incentivo às companhias para que invistam em novos equipamentos e pesquisa. Um de seus principais concorrentes no partido, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, também se prepara para apresentar um plano.
(Com informações da Reuters)