O Banco Central anunciou que as reservas internacionais brasileiras superaram pela primeira vez na história a dívida externa do país. O fato é inédito e significa que a dívida externa do Brasil "está praticamente zerada", de acordo com Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), professor do Ibmec-RJ e ex-diretor do BC (Banco Central).
Segundo o economista, esse dado reforça "a solvência (capacidade de pagar a dívida) externa" do Brasil e falta pouco para que o país obtenha, oficialmente, a classificação de grau de investimento. "Na prática, o Brasil já é investment grade", disse ele em entrevista ao UOL. "Existem outros países que já são grau de investimento mas que não tem as mesmas condições econômicas brasileiras", afirmou.
O grau de investimento é uma classificação concedida pelas agências de classificação de risco quando um país dá diferentes sinais (políticos e econômicos) de solidez em seus fundamentos macroeconômicos e sociais e de que há a disposição em honrar credores nacionais e internacionais.
Por outro lado, ele ressaltou que a obtenção do grau de investimento não está relacionado somente ao fato de um país quitar suas dívidas internacionais. "A avaliação do investment grande também é interna. E a dívida interna [brasileira] está caindo, mas não num ritmo tão acelerado quanto à externa." Assista abaixo a íntegra da entrevista em vídeo.
Seguro de US$ 200 bilhõesHoje, a dívida externa brasileira está avaliada "entre US$ 195 bilhões e US$ 200 bilhões", de acordo com Júlio Gomes de Almeida, economista e consultor do Iedi. Segundo ele, "as reservas internacionais brasileiras estão excedendo em cerca de US$ 4 bilhões" o valor que o país deve no exterior.
Por outro lado, ele explica a dívida externa não é formada apenas por gastos do governo - ela também leva em consideração as dívidas de empresas e até mesmo de pessoas físicas. Por isso, afirmou o economista, "não é de interesse do governo pagar essa dívida".
De acordo com Almeida, as reservas internacionais funcionam como um seguro do país para emergências. "Os países acumulam reservas como seguro. A China tem mais de US$ 1 trilhão de reservas", disse. O consultor do Iedi destaca que ter esse seguro "custa caro", mas, na opinião dele, o Brasil deveria aumentar um pouco suas reservas.