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27/02/2008 - 17h58

Centrais sindicais estão conformadas com "realidade" do mínimo

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo
As centrais sindicais mostraram-se conformadas com o aumento do salário mínimo anunciado nesta quarta-feira pelo Ministério do Planejamento, para R$ 412,40, contra os atuais R$ 380, a partir de 1º de março. A valorização é de 8,5%.

Na avaliação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que historicamente tem relações próximas ao PT, o novo patamar está de acordo com o que foi defendido pela entidade até hoje.

"A CUT negociou junto com outras centrais e o governo que o aumento do salário deveria considerar o crescimento da inflação do ultimo período mais a variação do PIB dos últimos dois anos, o que daria R$ 412,20", disse a dirigente Rosane Bertotti.

Segundo ela, o aumento, que desde 2003 até hoje teve crescimento real de 35%, reflete a continuidade do programa de aceleração da economia, além de ser um excelente instrumento de geração de renda.

O presidente da oposicionista Força Sindical, Paulo Pereira, por sua vez, disse que a notícia é "razoável", já que no médio prazo o poder de compra do salário mínimo será recuperado.

A afirmação vem do acordo que a Força fez hoje com o presidente do Senado, o senador Garibaldi Alves, para que seja votado até amanhã o aumento no salário mínimo até 2023.

O reajuste faz parte de um projeto de lei do ano passado que está em trâmite no Senado e diz que a mudança no salário deverá se basear na variação acumulada de 12 meses do INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor) acrescida da expansão real do PIB (Produto Interno Bruto) dos dois anos anteriores.

No projeto, que engloba os anos compreendidos entre 2007 e 2011, está previsto que a data dos próximos reajustes será em 1º de fevereiro de 2009 e 1º de janeiro de 2010, antecipando sempre um mês a cada ano.

Estimativa do Dieese
Uma análise mensal realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) considera que o salário mínimo necessário para que o trabalhar tenha condições de comprar a cesta básica, é de R$ 1.924, 59.

Nas principais capitais, foi calculado também o valor médio dos alimentos contidos na alimentação do indivíduo. Em São Paulo, o gasto mensal corresponde a R$ 229,09, em Brasília a R$ 209,20, em Belo Horizonte a R$ 216,78 e no Rio de Janeiro a R$ 206,22.

"O que o Dieese apresenta seria o ideal para o trabalhador, não só para adquirir a cesta básica ideal, mas também para ter acesso ao lazer, à saúde e educação. Essa idéia defendida não corresponde, entretanto, à realidade do país", afirmou a dirigente da CUT.

Conforme cálculos do presidente da Força Sindical, caso o salário mínimo tivesse sido corrigido com a inflação anual desde sua criação, em 1940, hoje estaria em, cerca de R$ 1540.

"Como não houve (correção), o salário está nisso que estamos vendo hoje. Por isso, o nosso acordo é para que no médio prazo o trabalhador possa ter maior poder de compra", avalia.

Em 2023, caso o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) permaneça em torno de 5%, o valor do salário mínimo naquele período deverá ser o dobro do apresentado hoje, de acordo com Pereira.

Bovespa Fonte: Reuters

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