Por Megan Davies e Joseph Giannone
NOVA YORK (Reuters) - O JPMorgan Chase informou no domingo que vai comprar o rival Bear Stearns por apenas US$ 2 por ação em uma transação toda em ações que avalia o banco de investimento, que está no centro da crise de crédito, em cerca de US$ 236 milhões.
A aquisição, que tem apoio do Federal Reserve e do Tesouro dos Estados Unidos, ressalta os riscos que bancos e instituições financeiras estão enfrentando com o aprofundamento da crise de hipotecas dos EUA. Além disso, o preço acertado na compra, mais de 90% abaixo do fechamento da ação do Bear Stearns na sexta-feira, levanta questões sobre as valorizações do setor bancário.
Minutos depois que o anúncio foi feito, o banco central dos EUA fez um corte emergencial de juros e abriu empréstimos diretos a instituições de Wall Street. Porém, as medidas não conseguiram conter os temores de investidores.
O dólar atingiu novo recorde de baixa contra o euro e os mercados asiáticos registraram queda.
A ação do Bear Stearns fechou na sexta-feira a US$ 30,85, o que dava à instituição criada há 85 anos valor de US$ 3,5 bilhões.
No dia anterior, o papel havia derretido 46%. Em janeiro do ano passado, as ações do quinto maior banco de investimento dos EUA, que emprega 14 mil pessoas, bateram recorde histórico de mais de US$ 171 por ação.
"O fato do conselho do Bear ter aceitado que esses ativos sejam comprados com tamanho desconto cria questões sobre o valor dos ativos em muitos balanços contábeis", disse Timothy Ghriskey, diretor de investimentos na Solaris Asset Management em Nova York.
"A principal preocupação é o que outras instituições financeiras valem no atual ambiente, dado o desconto que o JPMorgan teve ao comprar o Bear", acrescentou.
As reservas do Bear Stearns foram drenadas por correntistas em fuga na quinta-feira, e na sexta-feira o banco obteve um financiamento de emergência junto ao Federal Reserve, via JPMorgan.
Segundo o acordo, o Fed dará financiamento especial e concordou em bancar até 30 bilhões de dólares em ativos menos líquidos do Bear.
Perguntado como o JPMorgan reconciliou o preço de US$ 2 por ação com o valor contábil do Bear Stearns dado na sexta-feira, um executivo respondeu: "É uma arte, não uma ciência. Há milhares de peças em movimento que foram refletidas no preço final que o JPMorgan concordou em pagar."
O acordo precisa ser aprovado em assembléia de acionistas.
Em teleconferência sobre o acordo, o vice-presidente financeiro do JPMorgan, Michael Cavanaugh, disse que os custos totais relacionados à operação somam US$ 6 bilhões.