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26/03/2008 - 13h02

Fusão entre Bovespa e BM&F é bem recebida por analistas

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo
A fusão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) anunciada na noite desta terça-feira foi bem recebida por economistas e analistas de mercado financeiro.

"Essa fusão vai fortalecer o Brasil e também mostra que o país se prepara para a consolidação do mercado acionário, que é uma tendência mundial. E isso também deve ajudar na obtenção mais rápida do título de grau de investimento pela economia brasileira", afirma a analista de investimentos da corretora SLW Kelly Trentin.

Para o economista-chefe da Up Trend Consultoria, Jason Vieira, a união desses dois mercados vai melhorar o posicionamento brasileiro no cenário externo, além de gerar dividendos interessantes para quem estiver investindo neste setor.

A analista da SLW pondera, entretanto, quem, embora o movimento de integração tenha sido acertado, já que as duas Bolsas se complementam, o momento é de atenção.

"É certo que, se não houvesse a união, a concorrência entre as duas aumentaria muito, pois com o tempo uma iria querer entrar no mercado do outro, o que não seria saudável para os acionistas. Mas é preciso avaliar os detalhes desta fusão que serão especificados na proposta que será enviada para a assembléia dos acionistas", declara.

Outro fator preponderante, segundo os entrevistados, é a possibilidade mais real de as Bolsas brasileiras, que agora serão uma só, unirem-se a mercados de ações e futuros de outros países.

"Daqui um tempo pode ser que haja uma fusão com alguma Bolsa da América Latina, a Bolsa de Chicago, por exemplo, já possui 10% de participação na BM&F, o que se estenderá para a Bovespa conseqüentemente", diz o diretor da Trust Investimentos, Junior Hydalgo.

Com a fusão, a tendência é que o acesso aos investimentos por clientes globais fique mais fácil.

"Nesse processo de consolidação, não se pode nunca descartar a possibilidade de a Bolsa brasileira ser alvo de aquisições por estrangeiros. As duas juntas, agora, certamente aumentará a atratividade aos olhos dos investidores internacionais", diz Trentin.

Efeito nas corretoras
Para as corretoras de valores, a fusão da Bovespa e BM&F foi boa, na visão de Hydalgo, já que o volume de negócios tende a aumentar.

"Até agora, a maior parte das corretoras ou podia operar somente com ações ou somente com mercados futuros. As que tinham permissão para atuar nos dois segmentos eram muito poucas. Com a integração, o volume de negócios para os corretores tende a subir porque elas poderão mexer nos dois setores", diz.

Crise mundial
O momento de crise econômica nos Estados Unidos, em função da inadimplência elevada no mercado imobiliário, contaminou as negociações em mercados financeiros no mundo e, portanto, este não seria o melhor momento para a fusão das Bolsas brasileiras, segundo os entrevistados.

No entanto, Trentin afirma que o prazo para que a Bovespa e a BM&F confirmassem o negócio já estava apertado, por isso o anúncio teve de ser feito neste momento.

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