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fusão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) anunciada na noite desta terça-feira foi bem recebida por economistas e analistas de mercado financeiro.
"Essa fusão vai fortalecer o Brasil e também mostra que o país se prepara para a consolidação do mercado acionário, que é uma tendência mundial. E isso também deve ajudar na obtenção mais rápida do título de grau de investimento pela economia brasileira", afirma a analista de investimentos da corretora SLW Kelly Trentin.
Para o economista-chefe da Up Trend Consultoria, Jason Vieira, a união desses dois mercados vai melhorar o posicionamento brasileiro no cenário externo, além de gerar dividendos interessantes para quem estiver investindo neste setor.
A analista da SLW pondera, entretanto, quem, embora o movimento de integração tenha sido acertado, já que as duas Bolsas se complementam, o momento é de atenção.
"É certo que, se não houvesse a união, a concorrência entre as duas aumentaria muito, pois com o tempo uma iria querer entrar no mercado do outro, o que não seria saudável para os acionistas. Mas é preciso avaliar os detalhes desta fusão que serão especificados na proposta que será enviada para a assembléia dos acionistas", declara.
Outro fator preponderante, segundo os entrevistados, é a possibilidade mais real de as Bolsas brasileiras, que agora serão uma só, unirem-se a mercados de ações e futuros de outros países.
"Daqui um tempo pode ser que haja uma fusão com alguma Bolsa da América Latina, a Bolsa de Chicago, por exemplo, já possui 10% de participação na BM&F, o que se estenderá para a Bovespa conseqüentemente", diz o diretor da Trust Investimentos, Junior Hydalgo.
Com a fusão, a tendência é que o acesso aos investimentos por clientes globais fique mais fácil.
"Nesse processo de consolidação, não se pode nunca descartar a possibilidade de a Bolsa brasileira ser alvo de aquisições por estrangeiros. As duas juntas, agora, certamente aumentará a atratividade aos olhos dos investidores internacionais", diz Trentin.
Efeito nas corretorasPara as corretoras de valores, a fusão da Bovespa e BM&F foi boa, na visão de Hydalgo, já que o volume de negócios tende a aumentar.
"Até agora, a maior parte das corretoras ou podia operar somente com ações ou somente com mercados futuros. As que tinham permissão para atuar nos dois segmentos eram muito poucas. Com a integração, o volume de negócios para os corretores tende a subir porque elas poderão mexer nos dois setores", diz.
Crise mundialO momento de crise econômica nos Estados Unidos, em função da inadimplência elevada no mercado imobiliário, contaminou as negociações em mercados financeiros no mundo e, portanto, este não seria o melhor momento para a fusão das Bolsas brasileiras, segundo os entrevistados.
No entanto, Trentin afirma que o prazo para que a Bovespa e a BM&F confirmassem o negócio já estava apertado, por isso o anúncio teve de ser feito neste momento.