Reportagem publicada pelo jornal britânico "Financial Times", especializado em economia, diz que a crise global de alimentos fica complicada pelo excesso de restrições às exportações de alimentos (assinante UOL tem acesso ao
texto na íntegra).
"A produção de alimentos tornou-se cada vez mais globalizada à medida que o transporte se tornou mais barato e a comunicação mais eficiente. Mas o comércio de alimentos está longe de ser livre: ele tem sofrido há tempos com restrições impostas pelos governos", diz a reportagem.
Segundo o jornal, isso ajudou na crise que desencadeou saques de alimentos em cerca de 30 países neste ano.
O jornal elogia a agricultura do Brasil. "O Brasil, dotado de água em abundância e milhões de quilômetros quadrados de pastos cultiváveis tornou-se para muitas commodities -açúcar, carne, soja, suco de laranja e frango- o que a China é para os bens manufaturados e a Índia para a terceirização de serviços de negócios", avalia o texto.
Para a publicação, alguns países em desenvolvimento passaram a depender substancialmente de importações para suprir a demanda de itens básicos como trigo, milho e arroz, mas é impressionante o quão pouco eles são vendidos além das fronteiras internacionais. De acordo com os dados do "FT", apenas cerca de 6% a 7% da produção mundial de arroz é exportada.
O jornal diz que isso é decorrente em parte da crença de que a "segurança alimentar" -garantindo o suprimento do sustento básico- é melhor quando a produção fica nos próprios países. "Como resultado, o mercado internacional de arroz está longe de ser eficiente", conforme o texto.
A reportagem mostra que os controles nacionais de preços são especialmente prejudiciais, de acordo com Joachim von Braun, diretor-geral do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar sediado em Washington. "Os controles de preço reduzem o valor que os fazendeiros recebem pelos seus produtos agrícolas e assim reduzem seu incentivo para produzir mais alimentos", disse.