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08/05/2008 - 15h28

Indústria atinge quase 90% do limite da capacidade no RS

Léo Gerchmann
Em Porto Alegre
Com um crescimento de 9,8% da indústria no primeiro trimestre, o Rio Grande do Sul vive um momento, paradoxalmente, de grande apreensão. O uso da capacidade instalada já atinge a marca preocupante de 87,2%.

Isso leva o presidente da Fiergs (Federação das Indústria do Estado do Rio Grande do Sul), Paulo Tigre, a falar na urgência de investimentos para sustentar uma continuidade em tal crescimento.

"Para a manutenção do atual dinamismo no médio e longo prazo", diz ele.

Técnicos da Fiergs alertam para o fato de janeiro, fevereiro e março serem os meses em que tradicionalmente a economia tem desempenho mais fraco, o que leva à conclusão de que a situação da capacidade fabril chegará a um ponto ainda mais crítico nos próximos trimestres.

As explicações de economistas gaúchos ouvidos pelo UOL são de que o Rio Grande do Sul vive um momento peculiar, pois parte de uma grave crise ocorrida em 2006. Na ocasião, o Estado vinha de estiagem e sérias dificuldades nas exportações.

Enquanto o Rio Grande do Sul atinge o patamar de 9,8% no trimestre em razão do espaço deixado pela crise em anos anteriores - e a recuperação inercial -, o crescimento médio nacional no mesmo período foi de 6,3%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O índice gaúcho de crescimento e ocupação da capacidade fabril é resultado do IDI-RS (Índice de Desempenho Industrial), da Fiergs.

"Os fatores conjunturais que determinam o atual cenário seguem os mesmos desde o ano passado, ou seja, a expansão do mercado interno com emprego, renda e crédito e a boa safra agrícola nacional. Por outro lado, um obstáculo importante continua sendo a valorização do câmbio como revela o indicador do segmento exportador", explicou Tigre, destacando que a taxa registrada é a maior para o primeiro trimestre desde 2003.

Todas as variáveis do IDI-RS foram positivas para o período: vendas (11,3%), compras (16,8%), remuneração paga aos trabalhadores (15%), horas trabalhadas na produção (6,7%) e pessoal ocupado (4,3%). Em termos setoriais, as maiores contribuições para a performance do segmento industrial gaúcho vieram de Máquinas e Equipamentos (30,6%), Veículos Automotores (18,4%) e Alimentos e Bebidas (10,4%).

Outro aspecto importante é que o crescimento está disseminado entre as indústrias gaúchas, como revela o Índice de Difusão, onde 60,2% delas apresentam aumento das vendas. Já a utilização da Capacidade Instalada, que alcançou o mais alto nível (85,8%) da série histórica para o período, iniciada em 1991, teve aumento de 2,5% e sugere a necessidade de novos investimentos para a manutenção do atual dinamismo no médio e longo prazos.

Os números relacionados ao mercado de trabalho também seguem positivos. Os melhores desempenhos estão em Máquinas e Equipamentos (29,9%), Veículos Automotores (15,6%) e Alimentos e Bebidas (4,9%). A situação só não ficou melhor devido ao fechamento de postos de trabalho no setor coureiro-calçadista (-6,5%), exatamente o que possui o maior nível de trabalhadores. "Ao contrário do desempenho dos indicadores associados à produção, que estão entrando efetivamente em um novo ciclo de expansão, a recuperação do mercado de trabalho na indústria continua abaixo do nível de 2004", explica Tigre. Porém, os números relativos à remuneração total sinalizam os elevados ganhos salariais obtidos pelos trabalhadores no setor.

Em março, o IDI cresceu 7,3%, em relação ao mesmo mês de 2007, atingindo o 17º mês consecutivo de expansão nessa comparação. A remuneração paga aos trabalhadores chegou a 18,3%; as vendas foram a 5,9%, e as compras a 9,1%.

De acordo com o IDI-RS, as indústrias gaúchas mais voltadas para as exportações tiveram, no primeiro trimestre de 2008, um resultado inferior ao registrado pelo setor no Estado. Enquanto a atividade industrial como um todo cresceu 9,8%, o desempenho das exportadoras aumentou apenas 0,9%.

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