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20/05/2008 - 15h31

IGP-M sobe forte, mas fica em linha com previsões, afirma FGV

Vanessa Stelzer e Rodrigo Viga Gaier
Em São Paulo e Rio de Janeiro
A inflação pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) mais do que quadruplicou na segunda leitura de maio, em linha com o esperado, devido sobretudo a uma pressão no atacado que reflete as elevadas cotações de commodities, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Além da pressão externa, o indicador começou a captar também o recente aumento dos combustíveis domésticos, sobretudo do diesel. No varejo, por outro lado, a inflação deu sinais de desaceleração.

O indicador subiu 1,54% na segunda prévia deste mês, ante elevação de 0,37% em igual período de abril. Foi a maior taxa para o período desde fevereiro de 2003.

Analistas consultados pela Reuters previam uma taxa de 1,51%, segundo a mediana, com as estimativas variando de 1,47% a 1,60%.

Salomão Quadros, economista da FGV, acredita que o IGP-M atingirá o pico em maio e pode se aproximar dos 2 por cento. "Estamos em um momento de pico, mas isso não deve constituir uma tendência para os próximos meses", afirmou. "Há impactos pontuais como o do diesel que puxou o índice para cima agora, mas o impacto não deve se repetir nop mês que vem."

Atacado acelera, varejo sobe menos
Entre os componentes do IGP-M, o Índice de Preços por Atacado (IPA) teve avanço de 2,02% na segunda leitura do mês, ante alta de 0,22% em igual momento de abril.

O IPA agrícola subiu 2,21%, seguindo a queda de 1,72% na segunda leitura de abril. O IPA industrial teve aumento de 1,95%, contra alta anterior de 0,98%.

Os principais aumentos individuais de preços no atacado foram de arroz em casca (+33,96%), minério de ferro (+11,25%), arroz beneficiado (+ 47,5%), óleo diesel (5,02%) e bovinos (+2,99%).

"A alta do arroz foi puxada pelo mercado internacional. O preço do arroz no Brasil está sendo contaminado pelo que ocorre no mercado internacional", acrescentou Quadros.

Segundo ele, a forte elevação do minério de ferro se deve ao aumento anunciado recentemente no preço do produto pela Vale.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu em ritmo menor, em 0,47%, depois de avançar 0,63 por cento na segunda leitura de abril.

O alívio veio da menor alta dos preços do grupo Alimentação, de 1,04% agora ante 1,31% na segunda prévia de abril, e Habitação, que subiram apenas 0,01% contra elevação anterior de 0,39%.

As principais quedas individuais de preços no varejo foram de tarifa de energia elétrica, feijão carioquinha, banana prata, laranja-pêra e tomate.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) elevou-se em 0,82%, após ter registrado variação positiva de 0,75% na segunda leitura do mês passado. A maior pressão veio dos preços do aço.

No ano, o IGP-M acumula alta de 4,67 por cento e nos últimos 12 meses, de 11,45%.

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