Para este ano, apesar de os índices de preços estarem desacelerando, a expectativa dos analistas é que o IPCA não vá ficar muito abaixo do teto da meta estipulado para o período, que é de 6,5% anuais.
O motivo é que o índice de preços oficial já ficou contaminado pelos fatores negativos ocorridos ao longo do ano, diz a economista da Tendências Consultoria Marcela Prado. A Tendências consultoria aposta em 6,1% para o IPCA no ano.
"Revisamos a projeção na semana passada. Antes esperávamos 6,7%. Mas por conta do abrandamento do grupo alimentos estamos esperando uma inflação um pouco menor", afirma Marcela.
Para a RC Consultores, o IPCA deverá terminar o ano em 6,2%. "Houve uma redução no preço das commodities, mas ainda não foi suficiente para devolver todo o aumento que esses produtos tiveram, portanto, a inflação no final do ano não ficará muito menor que o esperado por conta do preço pouco mais baixo das matérias-primas", diz.
O professor de finanças do Ibmec São Paulo Alexandre Jorge Chaia aposta em IPCA a 6,25% em 2008. "Mas tudo vai depender de como os preços vão se comportar no terceiro trimestre e como estará o nível de consumo. Para alcançar esse nível, os preços devem continuar baixos, e o consumo mais moderado", afirma.
Para 2009, as previsões são bem mais otimistas. A crença dos analistas é de que o IPCA encerre o ano dentro do centro da meta, que é de 4,5% anuais, em reflexo ao aperto monetário praticado pelo Banco Central nos últimos meses.
Neste ano, o órgão já elevou a taxa básica de juros, a Selic, por três vezes, deixando-a nos atuais 13% ao ano.
Os economistas afirmam que os efeitos da política monetária contracionista com o aperto do juro costumam acontecer após cerca de seis meses. Por isso acreditam que o freio no consumo, que é o objetivo do Banco Central, deva começar a acontecer do final de 2008 para o começo de 2009.
"O consumo mundial deverá ser esfriado no ano que vem. Os Estados Unidos e a Europa, que são grandes parceiros comerciais e compradores no mundo, estão próximos de entrar em recessão", afirma o economista Fábio Silveira.
Marcela Prado afirma que, mesmo com um cenário mais benigno para o próximo ano, a projeção para o IPCA do período não foi revista e permanece em 5%, em função do aumento dos preços administrados.
Os preços administrados abrangem todas as tarifas que são reajustadas anualmente após autorização do governo. Entre eles, estão os preços de energia elétrica, telefone fixo e medicamentos.
A Tendências espera que os preços administrados subam 5,3% em 2009, contra 3,6% registrados em 2008.
"Por outro lado, mesmo com o aumento previsto para os administrados, a inflação esperada para o ano que vem está próxima do centro da meta porque acreditamos que em 2009 não vai se repetir a pressão sobre os alimentos que foi vista em 2008. Também a atividade econômica em ritmo menor deve contribui para o abrandamento dos preços", diz.
(Ana Carolina Lourençon)