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12/09/2008 - 15h53

Análise: por que bancos gigantes dos EUA estão enfrentando risco de quebrar?

Da Redação
Em São Paulo
Em seis meses, dois grandes bancos americanos estiveram à beira de quebrar, sendo que 11 menores efetivamente foram à bancarrota.

O caso mais recente é o do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos. Ele perdeu mais de 74% de seu valor de mercado ao longo da semana e procura um comprador. O governo americano estaria ajudando na operação.

Análise: bancos dos EUA devem ter crise até o fim do ano

Uma situação similar já havia acontecido em março deste ano, quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) socorreu o Bear Stearns, o quinto maior banco de investimento americano, que quase faliu antes de ser comprado pelo JP Morgan Chase, com intervenção do governo dos EUA.

Na raiz desse abalo financeiro, está a chamada crise do "subprime" (financiamentos a clientes não tão confiáveis), iniciada em meados do ano passado. Por se tratar de uma das atividades mais rentáveis dos Estados Unidos, nos últimos anos os bancos começaram a investir de forma maciça em imóveis e ampliaram seus produtos nesse segmento.

Formou-se então uma bolha imobiliária nos EUA, com a procura cada vez maior por imóveis. Os preços dos bens atingiram níveis muito elevados. A venda de casas e apartamentos chegou ao limite, e os preços começaram a cair devido à menor procura.

Atração e risco
Embora o Lehman Brothers seja um banco de investimentos e não de empréstimos, portanto, sem ligação direta com a crise do "subprime", sua contaminação com o problema aconteceu, pois, no auge do otimismo com a compra de imóveis, a instituição decidiu investir no setor. A explicação é do economista e vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. O mesmo aconteceu no Bear Stearns.

Com a queda no preço dos imóveis e os fundos de investimento e ações perdendo valor, os donos dessas aplicações amargaram prejuízo.

No caso do Lehman Brothers, nos nove primeiros meses deste ano, houve perda acumulada de US$ 6,212 bilhões, contra lucro de US$ 3,3 milhões registrados em igual período de 2007.

Para tentar salvar as ações, o banco anunciou nesta semana o corte do dividendo trimestral de US$ 0,68 para US$ 0,05 por ação, além da redução de seu grau de exposição a ativos vinculados ao setor imobiliário e a empréstimos hipotecários.

Com a crise agravada, o Lehman Brothers começou a procurar um potencial comprador. O Bank of América seria um dos interessados no negócio.

Resgate bem-vindo
O resgate que o governo norte-americano estaria preparando para o Lehman Brothers, negociando sua venda para um consórcio que engloba diversas instituições privadas, é a melhor atitude a ser tomada, na opinião de Mello.

Ele afirma que as autoridades dos Estados Unidos estão agindo para evitar o risco sistêmico, termo utilizado quando uma instituição financeira não tem recursos suficientes para quitar dívidas que possui com outros bancos, causando um efeito dominó com a quebra de toda a estrutura financeira do país.

"O governo dos EUA deixou quebrar mais de 10 bancos de porte menor, que não tinham clara política de governança. Mas quando se trata de instituições maiores e representativas em determinado mercado, o risco de quebra mundial é muito grande", diz.

Melo avalia que o papel do governo é justamente o de evitar que instituições de qualidade sofram perdas financeiras e criem uma debandada geral de investidores. O preço desta atuação, afirma o economista, é elevado e depende do dinheiro público, oriundo da contribuição de impostos.

"Mas é um preço que vale a pena pagar. É um movimento correto, e instituições de quase todo o mundo já fizeram isso. O que não pode é permitir que a crise chegue ao extremo", afirma.

(Reportagem: Ana Carolina Lourençon)

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