Texto atualizado às 17hO governo vai usar parte das reservas internacionais do país para financiar exportações, anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta segunda-feira, em entrevista coletiva. O objetivo é impedir que o comércio exterior sofra com a brusca redução do crédito internacional.
De acordo com o ministro, manter as reservas em nível elevado é uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mantega considera que usar as reservas para financiar produtos voltados para exportação não significa gastá-las.
| O BRASIL E A CRISE |
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| Principais medidas tomadas pelo governo brasileiro |
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| aumento do limite de dedução dos compulsórios para R$ 300 milhões, o que liberou R$ 5 bi principalmente para bancos menores |
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| adiamento do recolhimento de compulsórios, de novembro para janeiro, liberando R$ 7 bi |
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| BC deixou disponíveis aos bancos R$ 24 bi exclusivamente para compra de carteira de bancos menores |
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| segundo Mantega, BNDES ampliará linha de crédito pré-embarque (para exportações), somando R$ 5 bi, com recursos do Tesouro |
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"Vamos disponibilizar parte das reservas a bancos que vão financiar o comércio exterior". Segundo ele, a medida consiste em pegar um dinheiro que está aplicado no exterior e trazer para um banco nacional financiar o mercado exportador.
Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Exterior anunciou que, junto com a Fazenda e o Banco Central, estava estudando medidas para ampliar linhas de crédito aos exportadores.
Nesta segunda, Mantega e Henrique Meirelles, presidente do BC, explicaram que o dinheiro virá das reservas internacionais.
Bancos privados no exterior venderão títulos ao BC com contrato de recompra, ou seja, a autoridade monetária brasileira "recebe títulos de primeira qualidade e depois, pelo contrato, recebe de volta os dólares", anunciou Meirelles. "É uma operação totalmente garantida", afirmou.
A proposta de aumentar o crédito encaixa-se no contexto da análise que o governo faz sobre o impacto da crise dos Estados Unidos no Brasil. Segundo Mantega, o Brasil não tem problema de solvência, mas de crédito. "Aqui não há ativos podres; estamos com problema é de falta de liquidez", disse o ministro.
"Comportamento de manada"Ele afirmou que o país "não está imune" à crise, uma vez que ela é global, "não é simples" e é "talvez a mais forte desde 1929. "Nunca vi tanto banco de grande porte sofrendo essa deterioração".
Mas o ministro acrescentou que a crise "atinge menos os países não fragilizados ou mais sólidos, como é o caso do Brasil".
Afirmou, ainda, que estamos atualmente em uma fase aguda da crise, um "momento de irracionalidade", em que os investidores, incertos sobre o que deve acontecer, agem em "comportamento de manada". "Não há com evitar que a Bolsa caia como está caindo, mas os ativos estão sólidos".
Segundo ele, a fase aguda da crise vai passar quando os governos tomarem as medidas necessárias.