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06/10/2008 - 16h19

Contra crise, governo vai usar reservas para financiar exportações, diz Mantega

Sílvio Crespo
Em São Paulo

Claudia Andrade
Em Brasília
Texto atualizado às 17h

O governo vai usar parte das reservas internacionais do país para financiar exportações, anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta segunda-feira, em entrevista coletiva. O objetivo é impedir que o comércio exterior sofra com a brusca redução do crédito internacional.

De acordo com o ministro, manter as reservas em nível elevado é uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mantega considera que usar as reservas para financiar produtos voltados para exportação não significa gastá-las.

O BRASIL E A CRISE
Principais medidas tomadas pelo governo brasileiro
  • aumento do limite de dedução dos compulsórios para R$ 300 milhões, o que liberou R$ 5 bi principalmente para bancos menores
  • adiamento do recolhimento de compulsórios, de novembro para janeiro, liberando R$ 7 bi
  • BC deixou disponíveis aos bancos R$ 24 bi exclusivamente para compra de carteira de bancos menores
  • segundo Mantega, BNDES ampliará linha de crédito pré-embarque (para exportações), somando R$ 5 bi, com recursos do Tesouro
  • "Vamos disponibilizar parte das reservas a bancos que vão financiar o comércio exterior". Segundo ele, a medida consiste em pegar um dinheiro que está aplicado no exterior e trazer para um banco nacional financiar o mercado exportador.

    Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Exterior anunciou que, junto com a Fazenda e o Banco Central, estava estudando medidas para ampliar linhas de crédito aos exportadores.

    Nesta segunda, Mantega e Henrique Meirelles, presidente do BC, explicaram que o dinheiro virá das reservas internacionais.

    Veja trechos da entrevista de Mantega
    Bancos privados no exterior venderão títulos ao BC com contrato de recompra, ou seja, a autoridade monetária brasileira "recebe títulos de primeira qualidade e depois, pelo contrato, recebe de volta os dólares", anunciou Meirelles. "É uma operação totalmente garantida", afirmou.

    A proposta de aumentar o crédito encaixa-se no contexto da análise que o governo faz sobre o impacto da crise dos Estados Unidos no Brasil. Segundo Mantega, o Brasil não tem problema de solvência, mas de crédito. "Aqui não há ativos podres; estamos com problema é de falta de liquidez", disse o ministro.

    "Comportamento de manada"
    Ele afirmou que o país "não está imune" à crise, uma vez que ela é global, "não é simples" e é "talvez a mais forte desde 1929. "Nunca vi tanto banco de grande porte sofrendo essa deterioração".

    Mas o ministro acrescentou que a crise "atinge menos os países não fragilizados ou mais sólidos, como é o caso do Brasil".

    Afirmou, ainda, que estamos atualmente em uma fase aguda da crise, um "momento de irracionalidade", em que os investidores, incertos sobre o que deve acontecer, agem em "comportamento de manada". "Não há com evitar que a Bolsa caia como está caindo, mas os ativos estão sólidos".

    Segundo ele, a fase aguda da crise vai passar quando os governos tomarem as medidas necessárias.

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