07/10/2008 - 16h47
Governo pode cortar gasto por causa da crise, mas não no PAC, diz ministro
Claudia Andrade
Em Brasília
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira que se a crise financeira internacional persistir e o governo precisar reduzir gastos, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a área social serão preservados.
"Se tivermos que cortar, vamos cortar, não temos nenhum problema com isso. Mas não no PAC. O governo não vai aceitar paralisação no PAC", afirmou Bernardo. Ele participou de uma audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, para debater como a crise financeira internacional pode afetar as contas do governo no ano que vem.
Ele também destacou a preocupação do governo de preservar os recursos da área social, como educação, saúde e assistência.
Subida do dólar
O ministro também falou sobre a expectativa do governo em relação à taxa de câmbio. "É verdade que o aumento do dólar traz uma tendência de aumento da inflação, mas é muito difícil que isso continue. O mais provável é que essa situação reflua e estabilize em um patamar um pouco mais alto do que estava", declarou.
Paulo Bernardo lembrou que a parcela da dívida interna que era atrelada ao dólar foi eliminada, e que, neste sentido, o aumento do dólar é favorável. "Agora, queando o dólar aumenta, diminui a nossa dívida interna", disse.
Em relação ao orçamento para o ano que vem, o ministro lembrou que os parâmetros ainda podem ser revistos no final de outubro e de novembro. "Até lá, vamos ver se a economia vai crescer mais que o previsto ou menos que o previsto. Acho muito prematuro tomarmos qualquer rumo agora."
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator da Comissão Mista de Orçamento, trabalha com um cronograma diferente do apresentado pelo ministro. Ele quer que as revisões, se necessárias, ocorram o mais rapidamente possível. "Não teremos condições de trabalhar nisso em dezembro. Queremos ter mais informações já nas próximas semanas, para em novembro e dezembro poder elaborar uma peça que combine com a realidade", avisou.
"Temos um trabalho enorme pela frente. Se os parâmetros (do orçamento)mudarem, vamos ter de revisar o relatório preliminar de receita e o relatório geral. E vocês sabem da dificuldade que é aprovar a peça orçamentária, principalmente no fim do ano legislativo", completou.
Para o senador, contudo, é preciso "tranqüilidade, para não precipitar medidas que venham prejudicar a previsão do orçamento."
Crise financeira
O ministro Paulo Bernardo afirmou que o Brasil vem resistindo aos problemas financeiros internacionais devido às suas reservas cambiais. "É bom lembrar que essa crise começou em 2007. Se considerarmos que ela já tem quase um ano e meio, em todo esse tempo não teve efeito no Brasil. A economia cresceu 5,4% no ano passado e 6,1% no primeiro semestre."
"Quando tem um agravamento, como aconteceu nos dois últimos meses, muitos dizem que o governo não está tomando nenhuma atitude. Nossa avaliação é que as providências necessárias são as que temos tomado nos últimos seis anos. Fizemos uma reserva de US$ 206 bilhões de dólares."
Ele não garantiu que o país está blindado contra a crise. "Se o governo conseguir que a crise não tenha efeito aqui, ótimo. Senão, vamos tentar, pelo menos, minimizar esses efeitos".