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22/10/2008 - 07h00

Bancos estatais aproveitam a crise para comer espaço dos privados

Sílvio Crespo
Em São Paulo
Os bancos controlados pelo Estado estão aproveitando a crise internacional para avançar em setores hoje ocupados por bancos privados.

Enquanto as instituições financeiras particulares freiam a oferta de crédito, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal concedem empréstimos ao mercado, ganhando novos clientes.

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"É uma oportunidade de grande crescimento para o BB e a Caixa", afirma Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. "Com a crise, os bancos privados ficam mais assustados e diminuem a concessão de crédito, ou postergam. Já os públicos podem conceder crédito porque têm uma certa garantia e uma diretriz do governo para não deixar o mercado sem recursos."

Segundo Leite, os bancos públicos podem assumir essa postura porque têm orçamento garantido. Eles aproveitam a situação a partir de suas linhas oficiais de crédito -o BB é responsável por empréstimos ao setor rural, enquanto a Caixa fica com o segmento imobiliário.

Além disso, afirma Leite, "os diretores dos bancos públicos não têm tanto medo de serem demitidos" caso suas operações com crédito não dêem certo", porque é uma decisão do próprio governo que as instituições estatais irriguem o mercado nesse momento crítico.

O Banco do Brasil anunciou em 1º de outubro a liberação antecipada de R$ 5 bilhões em crédito para a agricultura; na segunda-feira (19), o governo prometeu aumentar esse valor em R$ 2,5 bilhões.

A Caixa informou que não vai alterar as condições de financiamento dos imóveis. O BB e a Nossa Caixa também não aumentaram os juros para esse tipo de operação. O Santander e o HSBC, na contramão da tendência dos bancos privados de subirem os juros, mantiveram as taxas para o setor imobiliário.

Compra de carteiras
Outra estratégia que os bancos públicos estão usando para crescer durante a crise é por meio da compra de carteiras de crédito de bancos menores. O BB afirmou que investiu ou vai investir no mínimo R$ 6 bilhões em operações desse tipo, e pode aumentar esse valor para até R$ 11 bilhões.

Essa atitude dos bancos estatais, na avaliação de Leite, é a forma que o governo encontrou para estimular as instituições financeiras privadas a perder o medo dos tomadores de empréstimos. À medida que as decisões dos bancos públicos se mostrarem acertadas, os particulares tendem a ir atrás, segundo Leite.

"Essa é a melhor maneira de acordar os bancos privados. Deixe que eles apliquem o dinheiro em títulos públicos; enquanto isso, o BB e a Caixa fazem uma campanha agressiva para tomar os clientes deles", analisa Leite.

O economista se refere ao fato de que, depois que o Banco Central começou a liberar parte dos depósitos compulsórios, no final de setembro, os bancos usaram o dinheiro não para conceder crédito ao mercado, mas para comprar títulos públicos.

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